A exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk sobre a semaglutida — princípio ativo dos medicamentos Ozempic (diabetes tipo 2) e Wegovy (obesidade) — chega ao fim no Brasil nesta sexta-feira (20). Com a expiração da patente, que durou 20 anos, outras empresas ganham o direito de fabricar produtos com a mesma molécula, o que deve ampliar as opções nas farmácias e reduzir preços a longo prazo.
Expansão do mercado e novos concorrentes
Atualmente, apenas cinco remédios registrados no país possuem a substância: Rybelsus, Wegovy, Poviztra, Extensior e Ozempic, todos pertencentes à Novo Nordisk. Contudo, quatro farmacêuticas já disputam o lançamento de versões próprias:
- EMS
- Hypera Pharma
- Cimed
- Biomm
Em nota, a Novo Nordisk classificou o encerramento da patente como uma “etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação”.
Diferenciação técnica
Embora a quebra de patente permita a produção de similares, a EMS informou que seu medicamento enviado para aprovação regulatória não é um genérico ou biossimilar. Segundo a empresa, trata-se de um produto novo, fabricado por meio de síntese química, aguardando agora a autorização comercial para chegar ao consumidor.
Com o fim da patente, a expectativa é que os novos produtos cheguem ao mercado com descontos obrigatórios em torno de 20%. Segundo Rodrigo Lamounier, diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), as novas opções disponíveis serão classificadas como similares ou biossimilares.
É importante notar que esta categoria difere dos medicamentos genéricos tradicionais. As principais distinções incluem:
- Genéricos: Devem oferecer um desconto mínimo de 35% e não possuem nome comercial (são vendidos pelo nome do princípio ativo).
- Similares: Utilizam o princípio ativo sob uma marca própria. Eles funcionam como “cópias” das medicações biológicas de referência que foram pioneiras no mercado.
Equivalência Terapêutica
Embora recebam o nome de “similares” por não serem quimicamente idênticos aos medicamentos de referência, isso não representa um problema de segurança. A eficácia terapêutica será equivalente, garantindo que os novos medicamentos entreguem o mesmo efeito esperado no tratamento.