O rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, não compareceu à audiência marcada para esta segunda-feira (23) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ),e o julgamento foi adiado.
A sessão estava prevista para ocorrer no Terceiro Tribunal do Júri. Como um dos policiais civis apontados como vítima também não pôde estar presente, o juízo remarcou o ato processual. O artista já é considerado foragido desde o começo do mês.
O cantor é réu por duas tentativas de homicídio contra agentes da Polícia Civil. Conforme a denúncia, ele teria participado de uma ação em que pedras foram arremessadas contra policiais que cumpriam diligência em sua residência para apreender um adolescente investigado por furtos de veículos. Na operação, dois agentes ficaram feridos.
Situação processual
Oruam estava em liberdade monitorada desde setembro, após deixar o sistema prisional onde permaneceu por cerca de dois meses. Segundo decisão judicial, o dispositivo eletrônico teria apresentado quase 70 violações. Diante das supostas irregularidades, a Justiça decretou a prisão preventiva.
Os agentes não localizaram o acusado nos endereços informados ao Judiciário, o que levou à condição de foragido. A defesa sustenta que não houve adulteração do equipamento e atribui as ocorrências a falhas técnicas.
Nas redes sociais, o rapper divulgou um vídeo, gravado em dezembro, no qual afirma enfrentar dificuldades para carregar a tornozeleira. A publicação, acompanhada da legenda “A verdade”, alcançou milhares de interações.
A nova audiência de instrução e julgamento foi designada para 30 de março. O mandado de prisão permanece válido.
Presença nas redes e histórico de controvérsias
- Mesmo com a ordem judicial em aberto, Oruam segue ativo nas plataformas digitais. Nesta segunda-feira, um perfil atribuído a ele publicou imagens de uma tatuagem sendo feita em seu braço.
- Filho de Marcinho VP, condenado por homicídio, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o músico acumula mais de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Ele nega qualquer vínculo com o tráfico ou o crime organizado. “Tudo o que eu conquistei foi com minha música”, declarou em vídeo divulgado na madrugada.
- Com mais de 2,1 milhões de seguidores em uma conta reserva no Instagram — após a remoção do perfil principal — o artista mobiliza um grupo de fãs conhecido como “Tropa do Oruam”. Em fevereiro, quando foi conduzido à Cidade da Polícia, deixou o local sob manifestações de apoio.
- A vereadora de São Paulo, Amanda Vettorazzo do MBL, protocolou um projeto de lei para vedar contratações de artistas que façam suposta apologia ao crime ou às drogas pela prefeitura. A proposta ficou conhecida como “Lei anti-Oruam” e também foi apresentada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.