No agronegócio brasileiro, poucas cadeias produtivas traduzem tão bem a presença feminina quanto a floricultura. Mais do que um gesto simbólico no Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o setor representa emprego, liderança e autonomia para milhares de trabalhadoras em todo o país.
De acordo com levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Floricultura em parceria com o Cepea/Esalq-USP, cerca de 56% da força de trabalho da floricultura é composta por mulheres – índice que ultrapassa 60% em algumas regiões. É o segmento do agro que mais emprega mulheres no Brasil, atuando desde a produção até a distribuição e as vendas.
Além da representatividade, a data também movimenta o mercado. O Dia da Mulher responde por cerca de 8% das vendas anuais do setor, com expectativa de crescimento entre 5% e 6% neste ano, em comparação com 2025.
“Além de gerar empregos, o setor permite que muitas mulheres conquistem autonomia financeira, fortaleçam a permanência das famílias no campo e assumam papéis estratégicos dentro e fora da porteira”, afirma Raquel Steltenpool, produtora e diretora de mercado do Ibraflor.
Liderança que floresce em cooperativas
Em Santo Antônio da Posse (SP), a Cooperativa Veiling Holambra consolidou um movimento que fortalece o protagonismo feminino no cooperativismo. Criado oficialmente em 2021, o Comitê de Mulheres reúne cerca de 140 integrantes entre produtoras, cooperadas e familiares. O grupo promove capacitações, visitas técnicas e participação ativa nas decisões estratégicas da cooperativa.

“Mais do que um espaço de troca, o Comitê constrói bases sólidas para um processo natural de ocupação de espaços estratégicos pelas mulheres dentro da cooperativa”, destaca a coordenadora Raíssa Swalmen.
Na Cooperflora, quase metade dos cooperados são mulheres ou têm gestão feminina nas propriedades. Elas ocupam cargos estratégicos, lideram equipes e participam diretamente das decisões administrativas.
Do Ceará a Rondônia: empreendedorismo e inovação
Na Serra da Ibiapaba (CE), a produtora Lucivanda Fernandes Siqueira se tornou referência ao integrar produção de rosas, turismo rural e sustentabilidade na Fazenda Santo Expedito. Vencedora do 1º lugar na categoria Pequena Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2025, ela ampliou a estrutura para 12 hectares de estufas e investiu em reaproveitamento de água e resíduos. O projeto inclui visitas guiadas, experiências sensoriais e geração de empregos na região.



(Divulgação: foto fornecida pela produtora)
Já em Urupá (RO), Tereza Alves Cordeiro de Campos transformou um sonho familiar em referência nacional na produção de plantas ornamentais tropicais. Fundadora da Estância Vitória, ela desenvolve variedades próprias por meio de melhoramento genético artesanal, com polinização manual e seleção criteriosa. Hoje, a produção ocupa cerca de 40 mil metros quadrados de estufas e abastece produtores de diferentes regiões do país.
Em um setor que combina técnica, sensibilidade e inovação, as mulheres não apenas ocupam espaço, elas lideram. Na floricultura, o protagonismo feminino não é exceção, mas sim a regra que sustenta o crescimento de um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro.