A Polícia Federal incluiu o pastor Silas Malafaia no inquérito que apura tentativas de obstrução de Justiça relacionadas à investigação da trama golpista que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. A decisão foi tomada no âmbito das investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, Malafaia passou a ser investigado após manifestações públicas e articulações que, na avaliação dos investigadores, podem configurar tentativas de influenciar ou intimidar agentes envolvidos nas apurações, além de mobilizar apoio popular com o objetivo de pressionar o Judiciário.
A inclusão do pastor ocorreu após eventos recentes em que o religioso participou de atos públicos em apoio a Bolsonaro e à chamada “anistia” dos envolvidos nos ataques às instituições democráticas. No último dia 3 de agosto, Malafaia organizou um evento em Brasília no qual Bolsonaro discursou por videoconferência, um movimento que violaria condições judiciais, levando à decretação de sua prisão domiciliar no dia seguinte.
Além de Malafaia, também foram incluídos no inquérito o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o comentarista político Paulo Figueiredo. Todos são suspeitos de atuar na tentativa de obstruir as investigações da PF e de influenciar a opinião pública em favor da impunidade dos envolvidos na tentativa de golpe.
Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (14), Malafaia reagiu com veemência, acusando o STF e o ministro Alexandre de Moraes de perseguição política. Em vídeos, o pastor comparou a atuação da Polícia Federal à de regimes totalitários, como a KGB soviética e a Gestapo nazista, e declarou que “a democracia no Brasil está sendo destruída sob o pretexto de defendê-la”.
A investigação da PF tem como base os crimes de obstrução de investigação de organização criminosa, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O inquérito foi aberto em maio de 2025, com foco na atuação de figuras próximas ao ex-presidente na mobilização contra o Judiciário e em estratégias de desinformação.
Até o momento, Malafaia não foi alvo de mandados de busca ou medidas restritivas. Seus advogados afirmam que ele não cometeu qualquer ato ilegal e que se trata de uma tentativa de silenciar lideranças conservadoras.
O Supremo Tribunal Federal ainda deve decidir se novas medidas cautelares serão tomadas contra os investigados. O caso segue sob sigilo parcial.