A Polícia Federal deflagrou neste domingo (23) a Operação Profeta, com cumprimento de mandado de busca e apreensão em Fortaleza (CE) para apurar suspeita de fraude em certame de interesse público. A investigação foi instaurada após o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) identificar a divulgação antecipada de conteúdo associado ao Enem 2025, em vídeo publicado antes da aplicação da prova (relembre o caso).
O conteúdo audiovisual, segundo o Inep, apresentava questões com similaridade substancial às que compuseram a avaliação oficial do Exame Nacional do Ensino Médio, aplicada no último domingo (16). O vídeo foi veiculado por Edcley Teixeira, estudante de Medicina que atua com monitorias voltadas ao Enem por meio das redes sociais.

Em nota, a PF afirmou que o objetivo da operação é apurar os fatos, identificar eventuais responsáveis pela obtenção e divulgação indevida de dados, além de verificar se há conexão com outros delitos. A corporação também reiterou seu compromisso com a integridade dos concursos públicos, especialmente os de abrangência nacional, como o Enem.
Suspeita de antecipação e versão do investigado
Nas redes sociais, Edcley negou qualquer vazamento e alegou ter “antecipado” trechos da prova com base na análise de edições anteriores e de pré-testes aplicados pelo Inep. Esses pré-testes servem como etapa de seleção das questões que podem vir a compor o banco oficial do exame. Segundo ele, o vídeo tinha fins pedagógicos e não violou sigilo.

Governo mantém validade da prova
Apesar da repercussão, o Ministério da Educação confirmou que a edição 2025 do Enem não será anulada. Em pronunciamento publicado na sexta-feira (21), o ministro Camilo Santana afirmou que a decisão de anular três questões da prova foi tomada de maneira preventiva, visando preservar a isonomia entre os candidatos.
“Quero tranquilizar cada um de vocês que fizeram a prova, cada um dos seus familiares, que o Enem não será cancelado”, disse Santana. Segundo ele, a comissão técnica do Inep optou pela anulação “por um único objetivo: prevenção e isonomia“.
A investigação segue em curso sob responsabilidade da Superintendência da PF no Ceará.