O Imposto de Renda 2026 já está no radar dos contribuintes. Com mudanças que incluem isenção para salários de até R$ 5 mil e redução parcial para rendas de até R$ 7.350, especialistas alertam que mesmo quem se enquadra nos benefícios precisa organizar documentos e conferir rendimentos para evitar problemas com a Receita Federal.
A Receita Federal ainda não divulgou a data exata para o início da declaração. Tradicionalmente, a instrução normativa sai entre o final de fevereiro e início de março, mas a tendência dos últimos anos aponta para um período entre 15 de março e 31 de maio de 2026.
Formas de declarar o imposto de renda
Existem duas maneiras de preencher a declaração do imposto de renda:
- Manual: o contribuinte preenche item por item, já que o sistema vem em branco e não compila os recebimentos.
- Automática (pré-preenchida): o próprio software do governo preenche grande parte das informações. É necessário acessar via conta gov.br nível prata ou ouro.
“Para contribuintes com rendimentos assalariados e patrimônio simplificado, a Declaração Pré-Preenchida oferece segurança e agilidade suficientes para o preenchimento autônomo”, comenta Heitor Cesar Ribeiro, sócio da área tributária do escritório Gaia Silva Gaede Advogados, em entrevista para o SBT News.
Especialistas alertam: quem tem aluguéis, carnê-leão ou bens no exterior deve procurar um profissional para evitar erros.
Quem precisa declarar
A obrigatoriedade vai além do salário mensal. Segundo Daniela Poli Vlavianos, advogada do escritório Arman Advocacia, em entrevista ao SBT News:
“O total anual de rendimentos, posse de bens acima do limite legal, recebimento de rendimentos isentos ou tributados na fonte, ganho de capital ou operações em bolsa também devem ser consideradas.”
Ou seja, mesmo quem ganha até R$ 5 mil por mês pode precisar declarar, dependendo de outros rendimentos ou patrimônio acumulado.
Como se preparar
- Organize seus rendimentos: salários, pró-labore, bicos, investimentos, aluguéis.
- Separe despesas dedutíveis: médicas, educacionais ou outras.
- Atualize informações sobre bens: aquisição ou venda de imóveis e veículos, dívidas e financiamentos.
- Inclua dependentes que surgiram ao longo do ano.
“É preciso entender toda a situação fiscal e pessoal de 2025 para preencher a declaração corretamente”, alerta Heitor Cesar Ribeiro.
Restituição ou imposto a pagar
O software do governo calcula automaticamente se há imposto de renda a pagar ou restituição:
- Se o contribuinte pagou mais imposto do que o devido durante o ano, terá restituição.
- Se pagou menos, precisará complementar o valor devido.
- Em alguns casos, o sistema aponta nenhum valor a pagar ou receber.
Malha fina: principais motivos
A Receita Federal já coleta informações detalhadas sobre rendimentos e despesas antes mesmo da declaração do imposto de renda a ser enviada, usando sistemas como e-Financeira, DECRED, DMED e DOI.
A declaração pode cair na malha fina quando houver divergência entre os dados do contribuinte e informações de terceiros (bancos, clínicas, empregadores).
Principais motivos em 2025:
- 32,6% – deduções médicas sem comprovação
- 30,8% – omissão de rendimentos do titular ou dependentes
- 16,0% – deduções de outras despesas sem comprovação
- 15,1% – diferença entre valores declarados e informados pelas fontes
“O erro mais comum não é de cálculo, mas de omissão ou divergência de dados. É essencial declarar exatamente o que consta nos informes, sem arredondar valores”, explica Cesar Ribeiro.
Caí na malha fina, e agora?
Divergência documental (ex.: despesas médicas contestadas): não é recomendável retificar. O contribuinte deve aguardar a notificação da Receita ou antecipar o envio de comprovantes pelo e-CAC.
Erro de preenchimento ou digitação: basta enviar uma declaração retificadora, e o processamento geralmente é destravado em poucos dias.