Quando um relacionamento termina, nem sempre a disputa envolve apenas bens materiais. Os pets passaram a ocupar um espaço tão importante nas famílias que, em muitos casos, a separação também traz dúvidas sobre guarda, convivência e responsabilidades com os animais.
A situação tem se tornado cada vez mais comum nos tribunais brasileiros. Enquanto muitos tutores enxergam cães e gatos como membros da família, a legislação ainda trata os animais como patrimônio, o que gera debates sobre como lidar com esses vínculos afetivos após o fim de um relacionamento.
Crescem os conflitos envolvendo pets após separações
A advogada Geórgia Zoia viveu essa realidade quando terminou um relacionamento e precisou se afastar da convivência diária com Max, cachorro com quem criou uma ligação afetiva profunda.

Segundo ela, a adaptação foi difícil, mas a decisão levou em conta o bem-estar do animal. Max permaneceu com a família do ex-companheiro porque o ambiente oferecia melhores condições para sua rotina.
O caso reflete uma situação cada vez mais frequente no país. Muitos casais optam por não ter filhos, mas desenvolvem laços intensos com seus animais de estimação, o que torna a separação mais complexa.
Justiça ainda trata animais como patrimônio
Para a advogada especialista em Direito de Família, Monica Perez, a legislação não acompanha a transformação das famílias brasileiras.
Segundo ela, embora existam discussões sobre regulamentar guarda compartilhada, visitas e divisão de despesas, o principal desafio está em reconhecer que os animais criam vínculos afetivos e sofrem com mudanças bruscas de convivência.
“A lei ainda trata o animal como patrimônio, mas a realidade das famílias mudou. Hoje, os pets ocupam um lugar afetivo muito diferente dentro das relações”, afirma a especialista.
Monica destaca que o crescimento desses casos tem levado o Judiciário a enfrentar situações que vão além da simples divisão de bens.
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Bem-estar do animal deve ser prioridade
Para Geórgia, qualquer decisão envolvendo pets após uma separação deve priorizar a qualidade de vida do animal.
Ela acredita que respeito, diálogo e flexibilidade entre as partes são fundamentais para que os acordos funcionem na prática.
O aumento das disputas envolvendo pets mostra uma mudança importante no perfil das famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, reforça um debate que ganha força no Congresso e na Justiça: como proteger relações construídas no afeto quando a legislação ainda não reconhece plenamente essa nova realidade.