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Saiba as causas do estresse e como preparar o seu pet para os fogos de artifício

Com os fogos, o animal tem reações como a de fuga, busca por esconderijos, latidos e miados altos e até mesmo tornar-se agressivo

O brilho dos fogos de artifício remete ao início de um novo ano, onde a população tradicionalmente comemora com muito barulho. Mas até onde esse barulho é permitido e não interfere no bem-estar dos animais? A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o projeto de lei que proíbe a fabricação, o armazenamento, a comercialização e o uso de fogos de artifício que produzam barulho acima de 70 decibéis (PL 5/2022), a fim de conter o constante barulho em bairros residenciais e em locais de festas.

Essa iniciativa visa diminuir a poluição sonora causada pelos estampidos dos fogos de artifício e o sofrimento daqueles que possuem sensibilidade auditiva, como no caso dos animais.

Foto:Agência Brasil

Para explicar quais cuidados tomar com os pets e como agir em casos de “sustos” causados pelo barulho, a VTV News entrevistou a médica veterinária e coordenadora do campus de Medicina da Universidade São Judas, Laura Cecato, e trouxe as melhores dicas para cuidar dos animais durante o período festivo.

Você sabe o que causa o estresse?

Barulhos altos e agitação fazem com que os gatos e cães tenham uma reação de estresse, pois possuem uma capacidade auditiva superior à do ser humano. Além disso, não há um padrão no som e o animal não consegue se habituar com o que está acontecendo, e as explosões produzem ondas de choque e vibrações que os animais sentem através dos coxins (almofadinhas das patas) e pelos táteis (vibrissas). A sensação física de “chão tremendo” intensifica a percepção de perigo iminente.

dia mundial do cachorro

Foto: Pexels 

“O estampido dos fogos é interpretado pelo animal como uma ameaça, o que ativa o sistema de luta ou fuga, fazendo com que o coração acelere para bombear sangue para os músculos, a respiração fique curta para oxigenar o organismo e as pupilas dilatem para captar ameaças”, comenta a veterinária.

Dessa maneira, o animal acaba tendo reações como a de fuga, busca por esconderijos, latidos e miados altos e até mesmo tornar-se agressivo. Como consequência, pode acabar desenvolvendo crises de ansiedade e um estado de hipervigilância constante, tornando-se incapaz de relaxar mesmo em ambientes silenciosos.

“Em animais idosos ou com cardiopatias preexistentes, o estresse extremo pode causar arritmias. O aumento do cortisol, que acontece em momentos de estresse, além de prejudicar a saúde do coração a longo prazo, também é um imunossupressor, dessa forma, animais que sofrem estresse frequente ficam mais suscetíveis a infecções, dermatites e doenças oportunistas”.

Fogos silenciosos

A evolução da pirotecnia com os chamados “fogos de baixo ruído” é uma alternativa tecnológica aos tradicionais. O diferencial desses dispositivos reside no controle da queima da pólvora: o processo ocorre de forma lenta e direcionada, priorizando a projeção de cores e formas em detrimento da detonação de ruptura violenta.

Enquanto os fogos convencionais podem atingir picos de até 175 decibéis (volume superior ao de um motor a jato), os modelos de baixo ruído operam em uma faixa significativamente menor, entre 70 e 120 decibéis. Embora não sejam totalmente silenciosos, a ausência de uma onda de choque elimina o impacto físico sentido no tórax e no sistema auditivo, tornando-os menos agressivos ao ambiente e à saúde pública, pois beneficia não apenas os pets, mas também crianças, idosos e pessoas que possuem hipersensibilidade auditiva. Do ponto de vista da saúde animal, os fogos silenciosos são uma alternativa eficaz, já que os decibéis são baixos e não prejudicam os tímpanos dos animais. Já na saúde emocional, a eficácia é parcial, pois mesmo sem o estampido, o ruído de lançamento e a queima química ainda são audíveis para os cães e gatos.

Como preparar os pets para barulhos

Para anteceder possíveis reações e crises, é importante que o tutor crie um ambiente seguro em um quarto ou espaço que possua pouco barulho e uma dica é: coloque objetos com o cheiro do tutor e “esconderijos” como caixas de papelão ou tocas.

“Para dessensibilização, utilize áudios de fogos de artifício em volume muito baixo enquanto brinca com o animal ou oferece petiscos de alto valor e, se o animal permanecer relaxado, aumente o volume gradualmente ao longo dos dias. O risco de fuga pode ser alto, então é importante o animal usar coleira com placa de identificação e, se possível, microchip”, reforça.

Além disso, há feromônios sintéticos por meio de spray e difusores de ambiente que liberam odores que reproduzem a sensação de segurança materna e que auxiliam na sensação de segurança. Mas é preciso tomar cuidado com os suplementos calmantes, o uso deve ser feito sob a indicação de um médico veterinário.

Vai sair e deixar o pet sozinho? Saiba os cuidados

Caso o tutor saia ou viaje, é importante assegurar que o animal esteja em um ambiente apropriado e seguro para não se machucar ou fugir. Objetos que possam cair ou ser arrastados devem ser removidos ou realocados para não haver perigo, além de frestas e buracos em paredes e portões, que em momentos de estresse podem ser vistos como uma “escapatória” para o barulho.

Criar um ambiente com janelas e portas fechadas para minimizar o som dos fogos, é ideal para o bem-estar animal. Caso seja possível, deixe algum som ambiente (sons a qual ele esteja acostumado, como o da televisão) junto ao pet, assim ele se sente menos estressado e consegue mascarar o som externo.


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Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

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