O Banco Central cortou de 2,1% para 2,0% sua estimativa de crescimento da economia brasileira em 2025 e passou a projetar uma expansão de 1,5% em 2026. Os dados constam no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25), que também prevê inflação acima da meta contínua de 3% até o primeiro trimestre de 2028.
A nova projeção do BC diverge do cenário traçado pelo Ministério da Fazenda, que estima alta de 2,3% para o PIB em 2025 e de 2,4% no ano seguinte. Já o boletim Focus, com dados de mercado, projeta crescimento de 2,16% no próximo ano e de 1,80% em 2026.
Segundo o relatório, a ligeira redução nas projeções decorre de efeitos ainda incertos do aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos, somados a sinais de moderação da atividade econômica brasileira no terceiro trimestre. A autarquia destacou, contudo, que o recuo foi parcialmente compensado por previsões mais favoráveis para a agropecuária e a indústria extrativa.
Para 2026, o BC aponta que a estimativa reflete a continuidade da política monetária em campo restritivo, o baixo nível de ociosidade nos fatores de produção, o esfriamento da economia global e a ausência do impulso agropecuário que se espera em 2025.
Inflação desancorada
O Banco Central indicou que, embora tenha recuado em relação ao levantamento de junho, a inflação segue acima da meta e com expectativas desancoradas. No cenário de referência, que considera a trajetória da Selic estimada no boletim Focus, o IPCA deve fechar 2025 em 4,8%, cair para 3,6% em 2026, alcançar 3,4% no primeiro trimestre de 2027 e só se aproximar do centro da meta – 3,0% – em 2028, quando atinge 3,1%.
A probabilidade de que a inflação ultrapasse o teto de 4,5% ainda em 2025 é de 71%, número superior aos 68% estimados anteriormente. Para os anos seguintes, as chances foram mantidas: 26% em 2026 e 17% em 2027.