A coluna da semana passada nomeada o “Caldo verde e Outono” foi uma das mais acessadas desde que comecei a escrever nesse espaço, o que me faz imaginar que a maioria das pessoas, felizmente, está mais atenta à alimentação.
Desde adolescente, sempre me interessei por uma alimentação mais natural, mas como meus pais tinham pouquíssimo interesse no assunto e a cozinha não era considerada um lugar nobre da casa, as refeições diárias acabavam sempre sendo mais do mesmo. Muito arroz, feijão, batatas fritas, bife e uma salada nada atrativa.
Às sextas, quando havia feira no bairro, o prato principal era, indubitavelmente, filé de peixe e, aos domingos, a inescapável pizza.
Depois do “sim”
Foi só quando me casei que minha alimentação mudou de patamar, graças à minha mulher e ao seu interesse quase atávico pela culinária.
O encontro inevitável do meu interesse pela comida saudável com o talento culinário de minha esposa tornaram nossas vidas mais saudáveis e nossas refeições mais interessantes.
Inspiração
Minha primeira incursão, mais a sério, nesse assunto foi por meio da jornalista brasileira Sonia Hirsch, que se dedica há muitos anos ao tema da alimentação saudável e se mantém firme e forte como uma das pioneiras nesse assunto, tão importante e essencial na vida de todos nós.
Autora de vários livros, palestrante das mais requisitadas, ouso dizer que foi Sonia a primeira jornalista a acender uma luz na escuridão ao falar da importância da comida saudável e do impacto em nossa saúde.
Um de seus livros que mais gosto, e recomendo vivamente, é o “Deixa Sair”. Cheio de receitas facílimas de se fazer e que priorizam, como já era esperado, os legumes e os vegetais, o livro deveria estar na cozinha das casas brasileiras.

A receita que mais gosto e que faz uma verdadeira “limpeza” no organismo é a Sopa do Pai José. Uma busca rápida no Google e o leitor poderá fazer essa sopa desintoxicante em sua casa, a um custo baixíssimo.
Sonia é uma estudiosa no assunto e seus conhecimentos são transversais. Da cozinha à sociologia. Seus argumentos impactantes fazem todo o sentido e mudam o olhar sobre aquilo que comemos. O primeiro deles é que a “saúde é subversiva porque não dá dinheiro a ninguém”. Que o digam as indústrias farmacêuticas e os lobbies dos enlatados.
Diz ela, ainda, que na antiguidade, “quando um rei ficava doente, a primeira coisa que se fazia era trocar o cozinheiro do castelo”, dada à importância da alimentação na recuperação da saúde.
Sopa de pedra

Mas a coluna de hoje quer falar sobre uma lenda portuguesa e que deu origem a uma das sopas mais consumidas em Portugal: a sopa de pedra.
Conta a lenda que um frade pobre e andarilho bateu na porta de uma casa e, orgulhoso demais para pedir comida, pediu aos donos que lhe emprestassem uma panela para ele preparar uma sopa de pedra. Intrigados, os donos da casa levaram o peregrino até a sua cozinha. Curiosos deram-lhe a panela e ficaram a observá-lo.
O frade tirou de seu bornal uma pedra lisa e a lavou por alguns segundos. Depois, colocou água na panela e colocou a pedra dentro dela. Logo acendeu o fogo e disse que era preciso temperá-la. A dona da casa deu-lhe sal, mas o frade sugeriu que seria melhor um bocado de linguiça ou de toucinho. E assim foi feito.
Enquanto mexia a panela, perguntou se tinham batatas ou feijão para engrossar o caldo, e assim se engrossou a sopa de pedra. Juntaram-se, ainda, cenouras e alguns legumes. Evidentemente, a sopa ficou excelente.
Todos tomaram juntos a sopa e, no final do jantar, o frade retirou cuidadosamente a pedra da panela, lavou-a e voltou a guardá-la no seu bornal.
Como toda lenda que se preze, não há comprovações efetivas sobre se tal fato realmente aconteceu, mas que a sopa de pedra é deliciosa e ficou nacionalmente conhecida, isso é fato indiscutível.