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Copa do Mundo 2026 pode aumentar casos de dependência em apostas, alerta psiquiatra

O excesso de apostas durante a Copa pode afetar a saúde mental, a vida financeira e as relações pessoais
Pessoa utilizando smartphone para realizar apostas esportivas online com elementos visuais da Copa do Mundo 2026 ao fundo.

Resumo

  • Com a Copa do Mundo 2026 se aproximando, o interesse em apostas aumenta, com 37% dos brasileiros planejando apostar.
  • Especialistas alertam para o risco de dependência, especialmente entre aqueles com comportamento compulsivo.
  • Os tipos de apostas mais procurados incluem resultado de partidas, número de gols e artilheiro do torneio.
  • O SUS oferece teleatendimento gratuito para problemas relacionados a jogos, visando ampliar o acesso à saúde mental.
  • Cresce o número de apostadores no Brasil, com 11% exibindo comportamento problemático e 28% em risco moderado de dependência.

Com a aproximação da Copa do Mundo 2026, o número de brasileiros interessados em apostas esportivas também cresce. A combinação entre jogos decisivos, emoção e facilidade de apostar pelo celular preocupa especialistas da área da saúde mental, que alertam para o aumento de casos de dependência durante grandes eventos esportivos.

Segundo pesquisa da Kantar, 37% dos brasileiros pretendem fazer apostas durante o Mundial, que começa em 11 de junho. O levantamento ainda aponta que 77% das pessoas devem acompanhar os jogos da competição.

Para o médico psiquiatra e docente do curso de Medicina do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), William Augusto, o período exige atenção, principalmente para quem já apresenta comportamento compulsivo.

“A pessoa começa a perder o controle sobre a frequência e os valores apostados. Muitas vezes, utiliza o jogo como uma forma de aliviar sentimentos negativos, criando um ciclo perigoso”, explica o especialista.

Copa do Mundo aumenta exposição às apostas esportivas

Com propagandas constantes e plataformas acessíveis em poucos cliques, as apostas esportivas se tornaram ainda mais populares nos últimos anos. Durante a Copa do Mundo, esse cenário ganha ainda mais força por causa da mobilização em torno dos jogos.

De acordo com os dados da pesquisa, os tipos de apostas mais procurados pelos brasileiros são:

  • Resultado das partidas (51%);
  • Número de gols (26%);
  • Campeão da Copa (18%);
  • Lances específicos (10%);
  • Artilheiro do torneio (8%).

Segundo William Augusto, a sensação de entretenimento pode fazer muitas pessoas ignorarem os riscos do comportamento compulsivo.

“O jogo passa a ser visto apenas como diversão, mas algumas pessoas desenvolvem uma relação de dependência sem perceber”, afirma.

Estádio de futebol moderno e lotado durante a Copa do Mundo 2026, simbolizando a alta demanda por ingressos na pré-venda.
Foto: Gerada por IA

Psiquiatra alerta para sinais de dependência

O especialista explica que um dos principais sinais de alerta é a tentativa constante de recuperar dinheiro perdido com novas apostas.

Além disso, mudanças de comportamento também podem indicar um problema mais sério, como:

  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Isolamento social;
  • Dificuldades financeiras;
  • Mentiras sobre valores apostados;
  • Empréstimos para continuar jogando.

Em casos mais graves, pessoas deixam de pagar contas básicas e comprometem relações familiares por causa das apostas.

William Augusto destaca que o termo mais adequado é “dependência”, e não “vício”.

“Estamos falando de um transtorno ligado ao controle dos impulsos. Não é uma falha moral, mas um problema que afeta o funcionamento do cérebro”, explica.

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SUS já oferece atendimento gratuito para compulsão por apostas

Em meio ao crescimento das apostas online, o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer teleatendimento gratuito para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e bets.

O serviço funciona de forma online e busca ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental, principalmente para quem sente vergonha ou dificuldade em procurar ajuda presencial.

As consultas acontecem por vídeo e fazem parte de um ciclo estruturado de tratamento. Cada paciente pode realizar até 13 sessões, individuais ou em grupo com familiares.

O atendimento conta com psicólogos, terapeutas ocupacionais e médicos psiquiatras, quando necessário.

Segundo o Ministério da Saúde, o serviço foi criado como resposta ao crescimento dos casos de compulsão relacionados às apostas esportivas.

Como acessar o atendimento pelo Meu SUS Digital

Para utilizar o serviço, o usuário precisa acessar o aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente para celular e versão web.

Após o login com a conta Gov.br, basta entrar na área de miniapps e selecionar a opção relacionada a problemas com apostas.

O sistema realiza um autoteste inicial baseado em critérios científicos. Caso o resultado indique risco moderado ou alto, o encaminhamento para o teleatendimento ocorre automaticamente.

Nos casos leves, o aplicativo orienta o cidadão a buscar atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui CAPS e unidades básicas de saúde.

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Número de apostadores cresce no Brasil

Outro levantamento, divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mostra que o hábito de apostar aumentou no país.

O percentual de brasileiros que fazem apostas esportivas passou de 14%, em 2023, para 17%, em 2025.

Entre os apostadores:

  • 11% já apresentam comportamento problemático;
  • 28% estão em faixa moderada de risco para desenvolver dependência.

A pesquisa ainda mostra aumento na associação das apostas ao entretenimento e à emoção. O número de pessoas que afirmam apostar pela emoção passou de 25% para 27% em dois anos.

Busca por ajuda ainda demora

Segundo o psiquiatra, muitas pessoas só procuram ajuda quando a situação já está em estágio avançado.

“A maioria dos pacientes chega ao atendimento quando os impactos financeiros e emocionais já são muito grandes. Quanto antes houver percepção do problema, maiores são as chances de tratamento”, afirma.

O especialista recomenda procurar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico nos primeiros sinais de perda de controle.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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