O técnico Dorival Júnior, atualmente no comando do Corinthians, defendeu a redução do número de jogadores estrangeiros atuando no futebol brasileiro. Para o treinador, a presença de atletas de outros países pode prejudicar o desenvolvimento da base nacional e trazer consequências negativas no futuro.
Após a vitória por 1 a 0 sobre o Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro, Dorival comentou que, embora o regulamento permita até nove estrangeiros por jogo – atualmente 131 estão inscritos na competição – essa regra pode estar penalizando gerações de novos talentos.
“Eu também acho que está na hora de intervirmos em relação ao número de estrangeiros em cada equipe brasileira. Nós estamos penalizando uma geração e, futuramente, pagaremos um preço muito alto. Nós não estamos percebendo isso acontecer. A Itália pegou preço altíssimo em duas Copas do Mundo, tendo dificuldade muito grande de classificação nesta terceira”, comentou o treinador.
O técnico do Timão usou a seleção italiana como exemplo. A Itália não se classificou para as Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e 2022, no Catar, e está na repescagem para ir à edição deste ano nos Estados Unidos, Canadá e México.

Gramado sintético
A declaração sobre o número de estrangeiros no Brasil ocorreu após uma pergunta sobre as condições do gramado artificial da Arena da Baixada.
“Se está autorizado pela CBF, ponto, nós não temos que ficar discutindo. Que é vantajoso para quem atua dentro do seu campo, é natural. A vantagem é muito grande. O jogo é muito mais rápido, muito diferente de um gramado natural. Esse é um aspecto”, explicou Dorival.
Por fim, Dorival reforçou críticas feitas pelo meia Garro após o confronto, quando o jogador afirmou que o gramado sintético “atenta contra o corpo”.
“O que eu acho é uma atitude que deveria partir, naturalmente, de quem comanda o futebol. Para vocês verem que são dois fatores que, para mim, conflitam muito com aquilo que nós sempre fizemos. Revelarmos atletas e termos gramados em condições, por sermos um país tropical. É impossível que isso não aconteça. Na Europa, são 50 dias do ano sem ver sol, e os gramados lá são perfeitos. Não é possível que não possamos atingir um momento como este dentro do nosso país, independente do estado em que estivermos”.