A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diminuiu as referências às plataformas de apostas esportivas no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Depois de colocar o combate às bets entre os principais temas do primeiro turno, a equipe do presidente passou a priorizar outras pautas, como o fim da escala de trabalho 6×1 e as críticas ao adversário Flávio Bolsonaro (PL).
A mudança ocorreu após Lula terminar a primeira etapa da disputa com cerca de dois milhões de votos a menos que o senador. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, a média de menções às bets nos vídeos do canal oficial do candidato caiu de 11 para quatro por gravação.
Durante o primeiro turno, o tema apareceu em todos os vídeos publicados no canal entre 1º de setembro e 4 de outubro. Já na segunda etapa da eleição, o assunto perdeu espaço na campanha.
Provocações contra times de futebol
A decisão do governo de proibir as plataformas de apostas no país provocou repercussões que ultrapassaram o debate sobre o endividamento das famílias. Clubes de futebol também criticaram a medida, devido à importância dos patrocínios de empresas do setor para as receitas das equipes.
Lula ainda gerou reações negativas ao sugerir que os clubes adotassem o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e ao questionar a dependência das receitas provenientes das bets. As declarações provocaram críticas de dirigentes e manifestações de torcedores.
“Vocês estão lembrados que há três décadas todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa, por que não estão virando?”, pontuou.
“Flamengo foi campeão em 81 sem bet. São Paulo foi três vezes campeão sem bet. Grêmio foi campeão sem bet. Corinthians foi campeão sem bet. Depois das bets, quem é que ganhou?”, indagou Lula.
Diante desse cenário, a equipe de Lula passou a evitar o assunto em parte de seus discursos e campanhas publicitárias.
As declarações provocaram forte repercussão nos bastidores do futebol. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, mais conhecido como Bap, rebateu as falas e afirmou que “não tinha nada a aprender com Lula”. Enquanto isso, torcedores do time carioca também entoaram xingamentos contra o presidente nas arquibancadas do Maracanã.
Protestos
Para piorar a situação, a 29ª rodada do Brasileirão foi marcada por manifestações contra a Medida Provisória que proibiu as bets no país. No dia 7 de outubro, placas de publicidade de diferentes estádios exibiram mensagens questionando a decisão durante os jogos.
A campanha foi organizada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As entidades utilizaram os espaços publicitários de nove dos dez jogos da rodada para divulgar frases relacionadas ao impacto da proibição.
Entre as mensagens que serão exibidas estão:“Proibir quem segue as regras favorece quem?”; “Não se muda a regra no meio do jogo”; “A demanda não acaba, apenas muda de endereço”; “A quem interessa o mercado ilegal?”; e “Quem lucra com as bets ilegais?”.
A ação também apresentou um endereço eletrônico criado pelas entidades para divulgar informações sobre o mercado regulado de apostas.
Oposição aproveita polêmica
No cenário político, a oposição passou a explorar a regulamentação das apostas esportivas, aprovada no fim de 2023, e associou Lula ao mercado de jogos on-line com o apelido de “pai do tigrinho”.
Em resposta, integrantes do governo federal chamaram Flávio Bolsonaro de “duas caras” e atribuíram ao ex-presidente Michel Temer a responsabilidade pela legalização da atividade.
Atualmente, a medida provisória que proibiu as apostas no país está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda precisa passar pelo Congresso Nacional.





