O esquema de lavagem de dinheiro investigado pela Polícia Federal veio à tona, após operações no Rio de Janeiro e em São Paulo. A apuração aponta o uso de empresas e plataformas digitais para ocultar valores ilícitos, com movimentações bilionárias e conexões com crimes financeiros.
MC Ryan e MC Poze no esquema de lavagem de dinheiro
O esquema de lavagem de dinheiro envolve artistas conhecidos. A investigação aponta Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan, como possível líder da estrutura.
Segundo a Polícia Federal, ele usaria empresas ligadas à música para movimentar valores ilícitos. A defesa afirma que o dinheiro tem origem legal.
Marlon Brendon, o MC Poze, aparece vinculado a empresas usadas na circulação de valores de rifas digitais e apostas. A Justiça determinou prisão temporária de 30 dias.
Caminho do dinheiro no esquema de lavagem de dinheiro
O esquema de lavagem de dinheiro, segundo a investigação, teria seguido etapas estruturadas para ocultar a origem dos recursos.
Origem dos valores
Os recursos supostamente vinham de rifas ilegais, apostas digitais não regulamentadas e fraudes online. Há indícios de possível ligação com o tráfico internacional.
Empresas de pagamento teriam captado esses valores. Esse processo concentraria grandes quantias em curto período.
Ocultação e transferências
O dinheiro seria enviado para empresas de fachada e contas em nome de terceiros. Essa etapa dificultaria o rastreamento.
Os investigados teriam utilizado o fracionamento de valores, conhecido como “smurfing”. Pequenas transferências evitariam alertas automáticos.
Parte dos recursos teria sido convertida em criptomoedas. Em seguida, os valores seriam enviados ao exterior.
Mistura com empresas legais
Os valores seriam direcionados a empresas de produção musical e marketing digital. Essas empresas teriam receitas formais.
O dinheiro de origem ilícita seria misturado com ganhos legítimos. Isso criaria aparência de legalidade e dificultaria a identificação.
Segundo a Universidade de São Paulo, esse tipo de prática é comum na fase final da lavagem de dinheiro.
Compra de bens de luxo
Após a circulação, os valores retornariam aos envolvidos em forma de patrimônio. A investigação cita imóveis, veículos, joias e aeronaves.
Os bens seriam registrados em nome de terceiros. Essa estratégia é usada para ocultar a titularidade real.
A Receita Federal do Brasil aponta que esse tipo de operação levanta suspeitas quando não há renda compatível.
Influenciadores e gestão de imagem
O esquema de lavagem de dinheiro também incluiria estratégias de comunicação. Operadores de mídia teriam sido pagos para promover plataformas de apostas.
Esses profissionais também atuariam na gestão de crises. O objetivo seria reduzir impactos na imagem dos envolvidos.
A investigação cita Raphael Sousa Oliveira, ligado à página Choquei. Ele teria participação na divulgação e na proteção da reputação do grupo.
Estrutura financeira do grupo
O esquema de lavagem de dinheiro contaria com divisão de funções. Um gestor financeiro seria responsável pela centralização dos valores.
Um contador cuidaria da movimentação em nome de terceiros. Também haveria um intermediário entre plataformas de apostas e empresas.
Essa estrutura permitiria movimentações contínuas. O modelo dificultaria a identificação dos responsáveis diretos.
O que dizem as investigações
A Polícia Federal afirma que o esquema pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão em dois anos. As informações constam em relatórios enviados à Justiça Federal.
Defesas dos investigados afirmam que os valores têm origem legal. Os processos seguem em análise. O caso segue em investigação e pode gerar novos desdobramentos.