A morte da técnica auxiliar Denise dos Santos Teixeira, de 40 anos, após cair de uma plataforma de cerca de 20 metros em um terminal do Porto de Santos, motivou um protesto na tarde desta sexta-feira (16). A manifestação ocorreu na Avenida Perimetral, nas proximidades da empresa onde ela trabalhava, para debater segurança.
Familiares, amigos e trabalhadores se reuniram no local com cartazes pedindo justiça e respostas sobre a estrutura dos terminais. Uma das mensagens exibidas dizia “Porto sucateado”, em crítica ao que os manifestantes classificam como falta de investimentos e riscos à vida de quem atua na área portuária.
Durante o ato, os manifestantes ocuparam uma das faixas da avenida, em frente à passarela próxima ao Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), em Santos, na Baixada Santista. A mobilização foi organizada pela irmã da vítima, Simone Freire, de 42 anos, que afirmou que o protesto teve como objetivo principal manter o caso em evidência.

Protesto pacífico
Segundo Simone, o ato também foi uma forma de homenagear Denise e de reforçar que a família não pretende desistir da busca por justiça. “Nos reunimos ali onde tudo aconteceu para chamar a atenção das autoridades. Nosso grito é por justiça”, afirmou. Ela destacou ainda que a manifestação ocorreu de forma pacífica.
Conforme já noticiado, Denise realizava uma inspeção em um armazém do Porto de Santos na noite da última segunda-feira (12), quando caiu de uma altura aproximada de 20 metros. O corpo foi localizado por funcionários do terminal e permaneceu no local por cerca de 15 horas, sendo removido apenas na manhã seguinte (13).
A irmã também demonstrou preocupação com o andamento das investigações. De acordo com Simone, a família teme que, futuramente, a responsabilidade pelo acidente seja atribuída à própria trabalhadora, e não às condições estruturais do local. Denise estava havia cerca de 45 dias no emprego quando ocorreu o acidente.
Suposta reforma
Simone chegou a relatar ao VTV News que Denise, recém-contratada, realizava sozinha uma atividade de risco. Segundo o relato, a técnica auxiliar pisou em uma grade da passarela, que cedeu, provocando a queda. Simone também criticou a estrutura do local, que, de acordo com ela, apresentava sinais de desgaste e vulnerabilidade.
A irmã da vítima denuncia ainda que, dias após a morte, a área onde ocorreu o acidente já estaria passando por alterações. Conforme relatado, equipes teriam iniciado serviços de pintura e substituição de peças no local, o que, para a família, pode comprometer a apuração policial sobre as reais condições da esteira e da passarela.

Apesar das críticas, Simone afirmou que Denise utilizava equipamentos de proteção individual no momento do acidente, mas isso não apaga o impacto para os filhos da vítima, já que Denise era responsável pelo sustento deles. “Nada vai trazer minha irmã de volta, mas eu não posso deixar meus sobrinhos desamparados”, disse.
O que diz a empresa?
Em nota à equipe de reportagem, neste sábado (17), a Corredor Logística e Infraestrutura (CLI) informou que respeita o direito de manifestação e lamentou profundamente a morte da colaboradora, ocorrida no dia 12.
Leia o posicionamento na íntegra:
“A empresa respeita o direito de manifestação e lamenta profundamente o falecimento de sua colaboradora, ocorrido no dia 12. Desde o primeiro momento, a empresa tem prestado apoio à família e colaborado com as autoridades na apuração dos fatos.
A empresa reforça que as investigações seguem em andamento e que qualquer conclusão neste momento é prematura. A empresa seguirá se posicionando com responsabilidade, respeito à família e com base nas informações oficiais”.