Denise dos Santos Teixeira, de 40 anos, é a mulher que morreu após despencar cerca de 20 metros dentro de um terminal no Porto de Santos, na Baixada Santista. Moradora de Guarujá, ela conciliava a rotina de trabalho com o cuidado da família e a realização de um antigo projeto pessoal. O acidente ocorreu na segunda-feira (12).
Conforme apurado pelo VTV News, Denise era mãe de três filhos, avó e vivia com a família em um sobrado ainda em construção. A finalização da casa própria era um dos principais objetivos de sua vida, planejado ao longo de anos. Mesmo com dificuldades financeiras, ela seguia investindo aos poucos, priorizando estrutura e segurança.
A trabalhadora havia conquistado recentemente um emprego com carteira assinada, considerado um marco em sua trajetória profissional. Antes disso, atuou como diarista e chegou a empreender com a venda de acessórios. A nova fase profissional representava estabilidade e a possibilidade de acelerar os planos familiares.
Sonhos interrompidos
Denise estava há pouco mais de um mês na empresa onde trabalhava no Porto de Santos. Com o novo salário, planejava comprar os materiais que faltavam para concluir o sobrado e, em um segundo momento, mobiliar a casa. A organização financeira fazia parte de um plano maior de oferecer conforto e dignidade à família.
Muito ligada aos filhos, Denise costumava planejar momentos de lazer sempre que possível. Viagens simples, especialmente para parques aquáticos e de diversão, estavam entre os programas favoritos. A convivência familiar era prioridade e orientava boa parte de suas decisões do dia a dia.
Descrita por parentes como uma pessoa alegre e dedicada, Denise era conhecida pelo bom-humor e pela disposição para ajudar. Sua morte gerou comoção entre familiares, amigos e colegas de trabalho. O caso segue sob apuração como morte suspeita para esclarecer as circunstâncias do acidente ocorrido no terminal portuário.

Como foi o acidente
O acidente aconteceu no Armazém 16 do Porto de Santos. Denise foi encontrada já sem vida por um colega de trabalho, que acionou as equipes de emergência. A suspeita inicial é de que o piso da esteira TE5, por onde ela caminhava, tenha cedido. Ela estaria usando corretamente todos os equipamentos de proteção obrigatórios.
Em entrevista, a irmã da vítima, Simone Freire, 42, afirmou que Denise realizava uma inspeção noturna sozinha. Segundo ela, colegas perceberam a ausência por volta das 20h e deram início às buscas até encontrarem o corpo. “Ela pisou em uma grade da passarela, o piso cedeu e ela caiu. Não houve tempo de se segurar”, relatou.
Simone também questionou as condições da esteira e afirmou que a peça apresentava problemas antigos. “Um funcionário me disse que aquela peça estava daquele jeito há muito tempo. Não é possível que ninguém tenha passado ali antes e visto que precisava trocar”, disse. Imagens mostram o estado da estrutura (veja abaixo).

Corpo ‘esquecido’
A irmã criticou ainda a demora na remoção do corpo, afirmando que a família foi avisada por volta das 22h, mas que a perícia só chegou horas depois. Segundo ela, o corpo de Denise permaneceu no local por mais de 15 horas. “Passei a noite inteira atrás do IML. Só depois que fui às redes sociais é que o atendimento aconteceu”.
Em nota ao VTV News, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que a mulher caiu cerca de 20 metros após o piso da esteira ceder. O caso foi registrado no Plantão da Delegacia Seccional de Santos e, após a liberação da perícia técnica no local, o Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para a remoção do corpo.
Posicionamento
Confira a nota da empresa Corredor Logística e Infraestrutura (CLi) na íntegra:
“A CLI lamenta profundamente o falecimento de sua colaboradora Denise dos Santos Teixeira, ocorrido na noite de 12 de janeiro, em uma de suas instalações. A empresa se solidariza com familiares, amigos e colegas neste momento de dor.
Na ocasião, a colaboradora realizava uma atividade rotineira de inspeção mecânica, prevista nos procedimentos operacionais do terminal. Trata-se de uma prática regular, conduzida por profissionais treinados e devidamente equipados, conforme as normas de segurança aplicáveis.
Ao perceberem a ausência da colaboradora no ponto de encontro previsto para a equipe, colegas iniciaram imediatamente as buscas na área. Às 21h36, ela foi encontrada caída por um mecânico do time, que acionou prontamente a brigada de emergência. Os primeiros atendimentos foram realizados de imediato, com acionamento do SAMU, que permaneceu no local por mais de 45 minutos realizando manobras de reanimação. O óbito foi constatado às 22h11, pela equipe médica.
A família foi comunicada e acolhida no próprio terminal, com acompanhamento das equipes de Recursos Humanos e Saúde, que seguem prestando toda a assistência necessária.
Conforme os protocolos legais, a área foi isolada, as operações suspensas e as autoridades competentes acionadas. A remoção do corpo ocorreu na manhã seguinte, após a liberação pericial e de acordo com a disponibilidade do Instituto Médico Legal (IML), responsável exclusivo por esse procedimento.
A CLI esclarece que as causas do acidente ainda estão sendo apuradas. Para garantir uma análise técnica isenta e criteriosa, a empresa contratou uma consultoria externa especializada em segurança, que conduz a investigação de forma independente. Até a conclusão desse trabalho, qualquer afirmação sobre causas ou responsabilidades seria precipitada.
A empresa reforça que permanece à disposição das autoridades e que seguirá colaborando integralmente com as apurações, ao mesmo tempo em que mantém seu compromisso com a segurança, o respeito às pessoas e a transparência responsável”.
Já a Autoridade Portuária de Santos (APS), que também foi contatada, informou que o caso ocorreu dentro do terminal da empresa e que a apuração cabe à CLI.