Um conflito que acontece fora do país já começa a refletir diretamente na economia brasileira.
O alerta foi feito durante um encontro promovido pela Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA), em parceria com o Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), que reuniu especialistas, autoridades e representantes do setor em Brasília para discutir os impactos da guerra na navegação.
A avaliação é de que os efeitos vão muito além do cenário internacional e já atingem a rotina logística no país.
“A importância é máxima, porque nós temos uma situação geopolítica delicada, que impacta o setor não só da navegação, mas de todos os produtores e exportadores importadores aqui no país também. Então a gente ter esse diagnóstico mais completo possível, entender que tipo de movimento pode acontecer e com isso estarmos preparados momentos antes, é importante, é crucial para para nossa atividade específica da navegação e para a economia de todo país”, afirmou o superintendente de relações institucionais do Centronave, Fábio Lavor.

Entre os principais impactos já sentidos pelo setor estão o aumento no preço dos combustíveis, dificuldades logísticas e a elevação dos custos operacionais.
Outro ponto que chama atenção é o encarecimento dos seguros marítimos, que passaram a refletir diretamente o risco gerado pelos conflitos.
“O seguro também tem um valor agregado junto ao frete marítimo e as empresas seguradoras com um fato concreto de uma guerra, acabou não realizando seguros ou realizando com valor muito exacerbado, um valor alto devido ao risco”, destacou o diretor do Instituto Brasileiro de Infraestrutura, Nicola Margiotta Júnior.
Além disso, o setor já enfrenta problemas de demanda, armazenamento e operação em portos, o que pode agravar ainda mais os impactos nos próximos meses.

“Você percebe aí a navegação já com altas nos combustíveis, problemas de de demanda, de carga e também de estocagem em alguns portos. Então, a gente tá tentando antever alguns problemas que podem atingir diretamente o país”, explicou Margiotta.
Os reflexos, segundo especialistas, não ficam restritos à logística.
Eles chegam diretamente ao consumidor, com aumento de preços e risco de desabastecimento de produtos considerados estratégicos.
“Se esse conflito demorar muito tempo. A gente vai ter reflexos muito importantes aí, não só na atividade logística e estrito senso, né? Mas também nos preços do de fretes, preços de comôdes e até mesmo escassez de alguns produtos e são estratégicos para a gente, como por exemplo, fertilizantes, o próprio diesel, né?”, afirmou o diretor-presidente do IBI, Mário Povia.
Durante o encontro, também foi discutida a necessidade de o Brasil se preparar para possíveis novos conflitos e reduzir a dependência de fatores externos.
A avaliação é de que o cenário global tende a se tornar cada vez mais instável.

“Esses conflitos, esse novo normal tá cada vez mais mais frequente, né? Ou seja, com com interferências externas, né, por por motivos diferentes, mas impactando aí o comércio internacional e, por consequência, a nossa navegação de cabotagem, a nossa matriz de transportes, né?”, afirmou Povia.