“Não faça isso com ele, ele é autista!”, gritou um dos irmãos do menino de 9 anos enquanto ele era agredido por cerca de 20 colegas em frente a uma escola municipal de Praia Grande, na Baixada Santista. Segundo a mãe, Pamela Neves, de 25 anos, um dos alunos chegou a tentar jogar um bloco na cabeça da criança, dizendo: “Eu vou derramar o sangue dele”.
O ataque aconteceu na última sexta-feira (22), na calçada da Escola Municipal Maria Clotilde Lopes Comitre Rigo, no bairro Esmeralda. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), o menino, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi segurado por alguns estudantes enquanto outros desferiam socos e chutes em várias partes do corpo.
A agressão coletiva só terminou quando uma mãe, que chegava para buscar a filha, interveio e conseguiu retirar o garoto da confusão. Sentindo dores, ele precisou ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Samambaia. Segundo a família, a criança sofreu golpes na barriga, costas e cabeça, e permanece com medo de ser agredida novamente (leia posicionamento da Prefeitura de Praia Grande ao final da matéria).
Como ocorreu a agressão?
O registro de ocorrência relata que o menino estava acompanhado dos irmãos, de 7 e 11 anos, quando o mais velho começou a ser provocado por colegas que passavam em frente à escola, por volta de 14h45. “[A criança autista] é muito espontânea e, como já havia visto o irmão sofrer bullying por vários dias, tentou defendê-lo”, contou a mãe ao VTV News.
A reação do garoto irritou o grupo, formado por cerca de 20 alunos, que então o cercou e iniciou as agressões. O mais novo correu para pedir ajuda, enquanto o de 11 anos foi ameaçado para não intervir. “Disseram para ele ficar quieto ou apanharia também”, relatou a mãe. Enquanto parte dos estudantes cometia as agressões, outros filmavam e incentivavam a violência.
Escola teria demorado para tomar providências
A vítima conseguiu reconhecer apenas um dos agressores: um aluno de 9 anos, estudante do 4º ano. No entanto, segundo a mãe, a direção da escola alegou a princípio que não poderia tomar providências porque o menino não identificou todos os envolvidos. Para ela, só depois de expor o caso nas redes sociais, a instituição decidiu abrir uma apuração interna.
O VTV News apurou que a mãe também registrou denúncia no Ministério Público (MP) e acionou o Conselho Tutelar. Já a gestão escolar pediu as imagens das câmeras de monitoramento do local à prefeitura e disse ter identificado os primeiros alunos envolvidos. A mãe confirmou que um dos nomes foi citado no boletim de ocorrência.
“Levo meus dois filhos com muito medo e até perco o meu horário de almoço. Esses meninos são barra pesada”, desabafou.

Prefeitura diz que não houve omissão
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande afirmou que a ocorrência se deu fora da unidade, em uma área de até 200 metros do portão. Disse ainda que a responsável foi atendida na escola e que os fatos foram apurados junto aos alunos envolvidos.
Segundo a administração municipal, o relatório foi encaminhado ao Conselho Tutelar e os estudantes foram direcionados a serviços públicos de apoio. Também foi acionado o Conselho de Escola para análise de possível infração às normas de convivência.
A prefeitura destacou que a rede municipal adota protocolo antibullying, com palestras, rodas de conversa e projetos de Justiça Restaurativa junto à comunidade escolar.