O governo de Israel decidiu rebaixar oficialmente suas relações diplomáticas com o Brasil, após a recusa tácita do Palácio do Planalto em aprovar o agrément de Gali Dagan, indicado por Jerusalém para o posto de embaixador em Brasília. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (25) pelo jornal Times of Israel, com base em nota do Ministério das Relações Exteriores israelense.
Segundo a chancelaria, o Brasil simplesmente não respondeu à solicitação formal de aprovação de Dagan. Diante do silêncio, Israel optou por retirar a indicação e conduzir os assuntos bilaterais em um patamar inferior, com representação de menor escalão.
Quando o presidente do Brasil, Lula @LulaOficial, desrespeitou a memória do Holocausto durante meu mandato como Ministro das Relações Exteriores, declarei-o persona non grata em Israel até que pedisse desculpas.
— ישראל כ”ץ Israel Katz (@Israel_katz) August 26, 2025
Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e… pic.twitter.com/O0rzmTYqPA
Crise diplomática em curso
A tensão diplomática entre Brasil e Israel é produto de uma crise que se arrasta desde 2023, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou as ações militares israelenses na Faixa de Gaza ao extermínio sistemático de judeus durante o regime nazista. A declaração levou o governo de Tel Aviv a declarar Lula persona non grata em território israelense.
Desde então, a tensão diplomática se acentuou. Em uma das medidas mais simbólicas, o Brasil deixou, nos últimos meses, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), organismo voltado ao combate ao antissemitismo. A saída foi classificada como uma “profunda falha moral” pelo governo de Benjamin Netanyahu.
Histórico de impasses
Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, voltou a criticar duramente o presidente brasileiro. Em publicação na rede X (antigo Twitter), Katz declarou: “Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA – colocando o país ao lado de regimes como o Irã”.
A escalada atual remete a outro episódio diplomático ocorrido em 2015, quando o governo brasileiro se recusou a aceitar a nomeação de Dani Dayan como embaixador de Israel. Na ocasião, o nome também foi vetado de forma indireta, por meio do silêncio diplomático.
Até o momento, o Itamaraty não se manifestou oficialmente sobre o rebaixamento das relações. O Brasil retirou seu embaixador de Tel Aviv no ano passado e ainda não indicou substituto.