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Mortes no Nepal e China sobem para 919 após enchentes no Himalaia

Tragédia também deixa 4.793 desaparecidos e mobiliza equipes de resgate na região
Vista aérea de uma cidade em encosta com ruas e casas, e uma ponte de metal atravessando o rio enquanto uma grande nuvem de poeira e fumaça se espalha pela área

Uma enchente provocada pelo colapso de uma geleira no Himalaia já deixou 919 mortos no Nepal e na China, segundo os balanços divulgados pelas autoridades dos dois países. Ao todo, 4.793 pessoas continuam desaparecidas, entre trabalhadores de usinas hidrelétricas, turistas e peregrinos. As equipes de emergência mantêm as buscas enquanto novos deslizamentos e lagos formados pela enxurrada dificultam o acesso às áreas atingidas.

Nepal concentra maior número de mortos

No Nepal, as autoridades confirmaram 903 mortes e registraram 4.247 desaparecidos. Na região chinesa do Tibete, o balanço aponta 16 mortos e 546 pessoas ainda não localizadas.

O desastre ocorreu em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira lançou uma enorme quantidade de água, gelo, pedras e lama sobre comunidades próximas à fronteira entre Nepal e China.

A força da correnteza destruiu vilarejos e atingiu estruturas de infraestrutura em poucos minutos.

Segundo informações fornecidas pelas autoridades, uma possível atividade sísmica chegou a ser considerada como causa do fenômeno. A imprensa chinesa, porém, relacionou a enchente à instabilidade das geleiras. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos apontou o colapso de uma geleira como responsável pela onda de água e detritos.

Nepal começa a enterrar vítimas

As autoridades nepalesas iniciaram nesta segunda-feira (31) o enterro de parte dos corpos recuperados. A decisão ocorreu antes da conclusão de todas as identificações devido à falta de instalações adequadas para conservar as vítimas.

As equipes coletaram amostras de DNA para permitir a identificação posterior dos corpos pelas famílias. Em hospitais, centros de resgate e necrotérios improvisados, parentes procuram informações sobre pessoas desaparecidas.

Em alguns locais, as autoridades exibem fotografias dos corpos encontrados em telas para ajudar no reconhecimento.

Trabalhadores de usinas estão entre os desaparecidos

Entre os desaparecidos no Nepal, 933 são trabalhadores de usinas hidrelétricas. Soldados e engenheiros do Exército perfuraram os escombros para tentar alcançar funcionários que podem estar presos em um túnel de uma instalação localizada em um vale do Himalaia.

As equipes conseguiram inserir uma tubulação no túnel, mas ainda enfrentam dificuldades para chegar ao grupo.

O indiano Surendra Dowluri, de 33 anos, contou à agência AFP que estava trabalhando em uma instalação quando a água invadiu o local.

Segundo ele, seis trabalhadores ficaram presos. Cinco conseguiram sair com vida, enquanto um morreu. Outros funcionários alcançaram áreas mais altas ou estruturas que ficaram fora do alcance da correnteza.

Novos lagos aumentam risco durante as buscas

A enchente no Himalaia também provocou a formação de grandes lagos. As equipes monitoram essas áreas porque novos deslizamentos podem provocar alterações no volume da água e aumentar os riscos para moradores e socorristas.

No domingo (30), equipes chinesas que atuavam nas proximidades do porto fronteiriço de Gyirong, no Tibete, precisaram deixar a região depois que um deslizamento formou outro lago.

Entre os desaparecidos também estão turistas e peregrinos que viajavam em direção ao Monte Kailash, considerado sagrado por diferentes religiões.

No Tibete, 2.141 agentes participam das operações de busca e resgate. O acesso à região, no entanto, continua restrito para jornalistas estrangeiros.

Rodovias destruídas dificultam chegada de ajuda

A destruição das estradas é outro obstáculo para as equipes de emergência. No lado chinês, os trabalhos tentam liberar o acesso ao porto fronteiriço de Gyirong, na Região Autônoma de Xizang.

O deslizamento bloqueou trechos da rodovia nacional G216, importante ligação terrestre da região.

No domingo, o Ministério de Gestão de Emergências da China enviou 110 socorristas e 28 equipamentos pesados para retirar os destroços e recuperar a estrada.

Até o meio-dia desta segunda-feira, os trabalhos haviam avançado cerca de 1,1 quilômetro. O terreno, porém, apresenta risco de novas quedas de rochas e deslizamentos, além de erosão provocada pela correnteza.

No Nepal, trabalhadores também tentam reconstruir a rodovia Prithivi, uma das principais ligações entre Katmandu e as áreas mais afetadas. A estrada é fundamental para o transporte de mantimentos.

Pontes e passarelas também foram destruídas, enquanto diversas regiões permaneciam sem energia elétrica.

Sobreviventes enfrentam destruição de comunidades

Além das buscas, moradores enfrentam a perda de casas e estruturas essenciais. Um dos moradores do distrito nepalês de Nuwakot, Buddhi Ram Dangol, relatou a dimensão dos estragos.

“Todos os povoados próximos ao rio foram arrasados. Não sobrou nada.”

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, classificou a tragédia como “inimaginável e dilacerante” e afirmou que a reconstrução deverá custar bilhões de dólares.

Shah também destacou a vulnerabilidade do Nepal diante das mudanças climáticas. O país, localizado no Himalaia, enfrenta os efeitos do derretimento acelerado das geleiras associado ao aquecimento global.


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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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