A Justiça decidiu levar Ricardo Frederico da Silva Pinto a júri popular pela morte de um casal em uma propriedade rural de Bragança Paulista, no interior de São Paulo. O juiz Carlos Henrique Scala de Almeida assinou a decisão na terça-feira (20). Enquanto aguarda o julgamento, Ricardo continuará preso preventivamente.
O Ministério Público acusa Ricardo de dois homicídios qualificados. Segundo a acusação, ele cometeu os crimes com emprego de meio cruel e utilizou recursos que dificultaram a defesa das vítimas.
As vítimas, Ana Paula da Silva Albino, de 50 anos, e José Hermínio Almeida Santos, de 65, morreram em maio de 2025. Na ocasião, investigadores encontraram os corpos no Sítio Santo Antônio, no bairro Biriçá do Valado.
Como ocorreram os crimes
De acordo com a investigação, o casal passou parte da noite de 24 de maio de 2025 em um bar da região, na companhia de Ricardo, conhecido como “Paulinho”. Entre 2h30 e 3h30 da madrugada seguinte, os três saíram do estabelecimento e seguiram para o sítio onde Ana Paula e José Hermínio moravam.
Conforme a acusação, Ricardo atacou o casal com instrumentos cortantes. Os investigadores encontraram Ana Paula morta perto de um tanque, na área externa da propriedade. Já José Hermínio estava em um dos cômodos da residência.
Além disso, os exames necroscópicos identificaram múltiplas lesões nos corpos. Os laudos apontaram traumatismos provocados pelos golpes como causa das mortes.
- Homem ameaça matar filha de 4 meses após briga familiar em Valinhos
- Bebê encontrado no lixo em Cosmópolis passa por cirurgia e segue em estado grave
Investigação identificou vestígios genéticos
Durante a apuração, os investigadores encontraram material genético associado a Ricardo em latas de cerveja na residência. Além disso, os exames apontaram compatibilidade entre o perfil genético dele e vestígios masculinos coletados sob as unhas de Ana Paula.
A decisão judicial também menciona que Ricardo utilizava os nomes Paulo e Paulinho. Segundo o processo, ele teria usado informações de um irmão falecido para esconder a própria identidade.
Ainda conforme os autos, Ricardo deixou o local de trabalho depois de receber uma intimação policial e passou a ser considerado foragido. Posteriormente, as autoridades o localizaram na cidade de São Paulo.
No início da investigação, imagens de câmeras de segurança registraram três pessoas perto da entrada do sítio. Uma delas parecia carregar um facão. No entanto, segundo informações citadas na decisão, os investigadores descartaram essa linha de apuração após verificarem os álibis dos envolvidos.
Acusado nega participação no crime
Durante o interrogatório judicial, Ricardo negou participação nos homicídios. Agora, a defesa poderá apresentar seus argumentos durante o julgamento.
Com a decisão de pronúncia, a Justiça determina que o caso siga para o Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. Entretanto, essa decisão não representa uma condenação. Caberá aos jurados analisar as provas e decidir se o acusado é culpado ou inocente.
Até o momento, a Justiça não havia divulgado a data do julgamento. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo representa Ricardo e informou que não comenta casos em andamento.