A Justiça de Praia Grande, na Baixada Santista, manteve a prisão preventiva de Marcelly Peretto (irmã), Rafaela Costa (viúva) e Mário Vitorino (cunhado), acusados do assassinato do comerciante Igor Peretto. O crime aconteceu em agosto de 2024 e, para o juiz, é doloso contra a vida, o que impede a substituição da prisão por domiciliar.
Segundo o Ministério Público (MP), o homicídio foi premeditado e motivado por um triângulo amoroso entre os envolvidos (saiba quem é quem a seguir). Igor teria sido visto como um obstáculo na suposta relação que mantinham. O processo ainda está em andamento, e a decisão sobre o julgamento em júri popular será tomada futuramente.
O juiz Felipe Esmanhoto Mateo ressaltou que a prisão preventiva deve ser revista a cada 90 dias, conforme prevê o Código de Processo Penal (CPP). Em nova análise, ele afirmou que não houve excesso de prazo no andamento do caso. A investigação e as audiências seguem dentro do cronograma esperado para a complexidade do processo.

Decisão
Na decisão, divulgada na quinta-feira (25), o magistrado ressaltou que, por se tratar de um crime doloso contra a vida, a prisão preventiva não pode ser substituída por medidas alternativas, como a domiciliar. Ele fundamentou essa posição no artigo 318-A do CPP. Com as alegações finais já apresentadas, o processo segue agora para a fase de sentença.
- Art. 318-A. A substituição da prisão preventiva pela domiciliar prevista no art. 318 deste Código também será aplicada à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, nos termos do inciso LXXVII do caput [texto principal de um artigo de lei] do art. 5º da Constituição Federal.
I – estiverem presas preventivamente em estabelecimentos prisionais, em condições que não assegurem a preservação de seus direitos fundamentais.
Em nota, o advogado Yuri Cruz, que defende Rafaela Costa, explicou que a revisão da prisão preventiva foi uma medida legal e rotineira. Ele acredita que Rafaela será impronunciada na sentença e poderá responder ao processo em liberdade. O advogado de Marcelly Peretto, Leandro Weissmann, não respondeu às tentativas de contato da reportagem.
Por fim, o advogado Mario Badures, representante de Mário Vitorino, afirmou que a defesa apresentou provas que, segundo ele, afastam as qualificadoras do crime. Badures confia na imparcialidade da Justiça e espera um julgamento justo, fundamentado nos fatos e nas evidências do processo.
Relembre o crime
Igor Peretto foi assassinado em 31 de agosto de 2024, no apartamento de sua irmã, Marcelly Peretto, em Praia Grande. No local estavam Igor, Marcelly e Mario Vitorino, cunhado da vítima e apontado como o autor do homicídio. A viúva, Rafaela Costa, chegou antes ao apartamento com Marcelly, mas saiu 13 segundos antes da chegada de Igor com Mario.
Depoimentos apontam que Rafaela e Mario mantinham um relacionamento extraconjugal. Além disso, segundo o advogado de Marcelly, ela e Rafaela também tiveram um envolvimento íntimo antes da chegada de Igor ao imóvel. A acusação sustenta que o crime foi motivado por um triângulo amoroso que colocava Igor como obstáculo.

Últimos registros de Igor Peretto
Imagens de câmeras de segurança mostram a sequência dos fatos. Às 4h38, Rafaela e Marcelly são vistas abraçadas e sorrindo no elevador. Por volta das 5h42, Rafaela sai do prédio de carro, e 13 segundos depois, Mario e Igor estacionam na mesma rua. Igor entra no prédio com Mario às 5h43.
Eles sobem juntos no elevador e discutem, como mostra o vídeo. A última vez que Igor é visto com vida é às 5h44, ao sair do elevador e caminhar com Mario até o apartamento. Cerca de 20 minutos depois, Mario e Marcelly descem pelas escadas, saem pela garagem e vão a pé até um carro.
O casal chega ao apartamento de Mario às 6h11, permanecendo cerca de cinco minutos no local. Saem em seguida levando bolsas e outros objetos. O laudo necroscópico aponta que, mesmo se tivesse sobrevivido, Igor ficaria tetraplégico, tamanho o dano das facadas que sofreu durante o ataque (confira a seguir a cronologia do crime):
- 04:32:38 – Marcelly e Rafaela chegam de carro ao prédio de Marcelly;
- 05:40:17 – Rafaela vai embora do apartamento de Marcelly;
- 05:42:27 – Rafaela deixa o local com o carro;
- 05:42:40 – Mario e Igor chegam ao prédio de Marcelly;
- 05:44:40 – Mario e Igor saem do elevador em direção ao apartamento de Marcelly;
- 06:04:31 – Mario e Marcelly saem do apartamento pelas escadas e acessam o subsolo, logo após o homicídio;
- 06:05:03 – Mario e Marcelly saem pela rampa do subsolo e vão em direção ao carro dele;
- 06:05:25 – Mario e Marcelly partem de carro em direção ao apartamento dele;
- 06:11:29 – Mario e Marcelly chegam ao prédio dele;
- 06:16:44 – Mario e Marcelly deixam o prédio dele e fogem;
- 08:48:00 – Mario e Marcelly se encontram com Rafaela em um posto na Rodovia Governador Carvalho Pinto, no km 124, em Caçapava, onde a viúva abandonou o carro e embarcou no carro do amante, onde já estava a irmã da vítima;
- 09:47:42 – Mario, Marcelly e Rafaela chegam em Campos de Jordão, onde a irmã da vítima teria entrado em um carro por aplicativo e retornado para Praia Grande;
- 12:28:00 – Mario e Rafaela se hospedam em um motel em Pindamonhangaba, onde permanecem até 15h37. No mesmo dia, abandonam o carro dele no Centro da cidade.