A Diocese de Santos afastou temporariamente o padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, das funções ligadas ao ministério presbiteral, pelo “bem da comunidade”. O religioso está preso temporariamente desde a última sexta-feira (4), em Praia Grande, no litoral de São Paulo, sob suspeita de estupro de vulnerável.
Jucelino é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande após uma denúncia feita por uma jovem de 19 anos, que atuava como coroinha em uma igreja onde o padre trabalhava. Segundo o relato, ele teria tocado no corpo dela sem consentimento enquanto ela estava alcoolizada, múltiplas vezes.
O padre não poderá celebrar missas, presidir atos de culto, administrar sacramentos ou exercer funções pastorais. Ele também não poderá assumir encargos relacionados ao ministério sem autorização prévia do bispo diocesano. Segundo a Diocese, as medidas foram adotadas para “garantir o andamento da investigação”.

Em um comunicado interno enviado nesta quinta-feira (10), o bispo diocesano de Santos, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, afirmou que o momento é difícil para a Igreja local e pediu orações para que os fatos sejam esclarecidos e a justiça seja feita. Segundo ele, o assunto poderá ser discutido posteriormente durante a Semana Teológica do Clero, que será realizada na próxima semana.
“Eu o visitei e, também, à sua mãe e sobrinha, procurando dar a assistência no amor e na caridade. Peço a cada um rezar, em profundidade, para que Deus seja a luz sobre todos os envolvidos, a justiça seja precisa e a paz restabelecida”, escreveu o bispo.
Denúncia de estupro
Segundo o boletim de ocorrência, a jovem e o namorado, de 18 anos, acompanhavam o religioso durante missas e também frequentavam a casa dele. Em uma dessas ocasiões, ela relatou que Jucelino teria feito contatos físicos de natureza sexual sem consentimento. Ainda conforme o BO, o padre também teria oferecido ajuda financeira e presentes à jovem, além de sugerir que o casal morasse na casa dele.
A Justiça determinou a prisão temporária do religioso e, conforme noticiado anteriormente pelo VTV News, também estabeleceu medidas protetivas. Entre elas, está a proibição de que Jucelino se aproxime ou mantenha contato com as vítimas, além da restrição de acesso a locais frequentados por elas.
Padre já foi condenado por crime sexual
Antes da investigação atual, Jucelino já havia sido condenado pela Justiça por um crime sexual cometido contra uma criança de 10 anos. A sentença foi proferida em julho de 2009, quando ele tinha 41 anos.
Na época, o padre foi condenado a 12 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor. O caso aconteceu em Franca, no interior de São Paulo, em janeiro de 2006. Jucelino chegou a ficar cerca de seis meses preso preventivamente em 2007, mas respondeu ao restante do processo em liberdade após obter um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na ocasião, ele integrava o clero da Diocese de Santo Amaro, na capital paulista. O processo tramitou sob segredo de Justiça.

O que diz a defesa
Em nota, o advogado João Paulo Silva Rocha, que representa o padre, afirmou que a prisão tem “natureza temporária e exclusivamente cautelar”, ressaltando que “a medida não representa condenação nem autoriza qualquer conclusão antecipada sobre a responsabilidade do investigado”.
“Na audiência de custódia, foi requerida a revogação da prisão e sua substituição pelas medidas cautelares já determinadas, prosseguindo a defesa na adoção das providências judiciais cabíveis. O Padre Jucelino cumpriu a ordem judicial sem resistência e permanecerá à disposição das autoridades”,
disse o defensor.
A defesa também manifestou “absoluto respeito a todas as pessoas envolvidas, sem distinção, e confia que os fatos serão apurados com rigor, serenidade e observância das garantias legais”. Por fim, o advogado pediu “responsabilidade na divulgação das informações”, com a preservação da dignidade dos envolvidos, da presunção de inocência e a prevenção de qualquer forma de prejulgamento público.




