Imagens obtidas pela reportagem mostram o momento exato em que o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes é perseguido por um carro com quatro criminosos (assista a seguir). A fuga termina quando o veículo de Fontes colide com um ônibus e capota no bairro Nova Mirim, em Praia Grande, na Baixada Santista.
De acordo com a Polícia Militar (PM), é possível que Fontes tenha sido baleado durante a perseguição em alta velocidade, o que pode ter provocado a perda de controle do veículo e o subsequente acidente. O caso aconteceu por volta de 18h desta segunda-feira (15), na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas.
Então secretário de Administração de Praia Grande e licenciado da Polícia Civil, Fontes foi executado a tiros de fuzil após o capotamento. Ao menos dois pedestres – uma mulher e um homem – também ficaram feridos durante o ataque. O crime é investigado como uma execução premeditada.
Criminosos mascarados atiraram e fugiram
Imagens de câmeras de monitoramento mostram que, após o capotamento, o carro dos criminosos parou a tempo de evitar colisão com um dos ônibus. Três homens, mascarados e armados, desceram do veículo: um deu cobertura, enquanto os outros dois avançaram em direção ao carro de Fontes.
Armados com fuzis de uso restrito, os criminosos dispararam contra a vítima, atingindo diversas partes do corpo. Segundo o delegado-geral Artur Dian, foram mais de 20 tiros, a maioria concentrada nos membros e no abdômen. “Foi uma execução com um objetivo claro: eliminar a vítima rapidamente”, afirmou.
Após os disparos, os criminosos retornaram ao veículo e fugiram em questão de segundos. Com as portas abertas, a ação foi tão rápida e coordenada que dificultou a identificação dos responsáveis.
Carro é incendiado em tentativa de apagar rastros
Poucas horas após a execução, a Polícia Civil encontrou o veículo utilizado pelos criminosos, que foi completamente incendiado a cerca de dois quilômetros do local do crime (veja a seguir). A principal suspeita é de que o incêndio tenha ajudado a obstruir provas, como impressões digitais e vestígios biológicos.

Além do carro incendiado, um segundo veículo foi encontrado, contendo carregadores de fuzil e munições. A perícia está trabalhando para determinar se esse automóvel teve papel de apoio na execução ou se está ligado a outras operações criminosas na Baixada Santista.

A execução gerou alerta nas corporações policiais e motivou uma força-tarefa composta por equipes do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Departamento Estadual de Investigações sobre Entorpecentes (Denarc) e Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO).
Posicionamento
A morte de Fontes provocou forte comoção entre colegas de profissão, autoridades e representantes de entidades ligadas à segurança. Em nota, a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil classificou o crime como uma tragédia de “proporções inenarráveis”, e afirmou que o delegado “caiu como um guerreiro em defesa da sociedade”.
A Prefeitura de Praia Grande também emitiu comunicado lamentando a perda e reforçando que a atuação de Fontes foi marcada pelo compromisso com a legalidade. “Dr. Ruy foi um servidor público exemplar e um profissional incansável na busca por justiça”, diz a nota.
Já o secretário da Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite, foi informado diretamente pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, de que o GAECO acompanhará de perto as investigações.

Quem era o delegado Ruy Ferraz Fontes?
Formado em Direito e com mais de 40 anos dedicados à segurança pública, Fontes foi considerado uma das principais figuras da Polícia Civil paulista nas últimas décadas. Atuou em delegacias especializadas como o DHPP, Denarc e Deic, sendo pioneiro em investigações contra o PCC no início dos anos 2000.
Foi chefe da 5ª Delegacia de Roubo a Bancos do Deic, onde começou a mapear e desarticular a estrutura da facção. Participou de ações estratégicas durante os ataques de maio de 2006, quando o PCC promoveu atentados simultâneos contra forças de segurança em São Paulo.
De 2019 a 2022, comandou a Delegacia Geral da Polícia Civil e liderou operações que resultaram na transferência de chefes do PCC para presídios federais, rompendo articulações da facção dentro do sistema prisional paulista. Desde 2023, era secretário de Administração em Praia Grande.