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Ex-delegado executado: presa suspeita de ligação com o PCC revela detalhes e três continuam na mira da polícia

Derrite afirma não ter dúvidas sobre envolvimento do crime organizado, mas diz que motivação ainda é desconhecida

Quatro pessoas são suspeitas de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros de fuzil em Praia Grande, na Baixada Santista. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP), três homens estão foragidos e uma mulher foi presa temporariamente.

A Polícia Civil já identificou os suspeitos e divulgou imagens dos procurados durante coletiva de imprensa (veja acima). De acordo com as investigações, há fortes indícios de que o crime foi planejado e executado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Um dos foragidos ocuparia posição de liderança na facção.

Fontes foi emboscado na noite de segunda-feira (15), logo após deixar o Paço Municipal de Praia Grande, onde atuava como secretário de Administração. Ele tentou fugir, mas foi perseguido e cercado por homens armados e encapuzados, que dispararam diversas vezes. O ex-delegado era conhecido pelo histórico de enfrentamento ao crime organizado.

Veja quem são os suspeitos de envolvimento na execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes

Felipe Avelino da Silva, de 28 anos, conhecido como “Masquerano”, é apontado como um dos principais suspeitos de envolvimento direto na execução. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele possui antecedentes por roubo e tráfico de drogas e teria função de disciplina dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região do ABC Paulista. A polícia o considera foragido.

Flávio Henrique Ferreira de Souza, de 24 anos, também está foragido. De acordo com a SSP, ele teria atuado ao lado de Felipe na ação que resultou na morte do delegado. Os dois aparecem juntos em imagens divulgadas pela polícia. No entanto, o papel exato de Flávio no crime ainda está sob investigação.

Luiz Antonio Rodrigues de Miranda teve a prisão temporária decretada e também está sendo procurado. A investigação aponta que ele teria ordenado que uma das armas utilizadas no crime fosse levada à Baixada Santista por Dahesly Oliveira Pires (veja a seguir), a única suspeita presa até o momento.

Transporte do fuzil usado no assassinato liga suspeita ao crime

A quarta suspeita, Dahesly Oliveira Pires, de 25 anos, foi presa temporariamente na madrugada desta quinta-feira (18), após avanço nas investigações do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota, a Polícia Civil informou que ela teria sido responsável por transportar um fuzil usado na execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes.

Dahesly teria levado o armamento da Baixada Santista até a região do ABC Paulista, onde entregou a arma a outro integrante do grupo criminoso, ainda não identificado. Nas investigações, foram encontrados no celular da suspeita fotos do fuzil – registros que reforçam sua participação na logística do crime. A Justiça acatou o pedido de prisão temporária.

Em coletiva, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, destacou a importância da prisão. “É uma questão de honra para nós realizar a prisão de todos os que participaram desse terrível crime contra o delegado. Apesar de aposentado, ele foi um dos delegados que mais enfrentaram de frente o crime organizado”.

Quinto suspeito? Homem aparece queimado em hospital horas após execução

Um homem não identificado deu entrada no Pronto-Socorro Central (PS) de Praia Grande e levantou suspeitas de envolvimento no assassinato e foi interrogado no início da tarde de terça-feira (16). Isso porque um dos carros usados na ação criminosa, uma Toyota Hilux preta, foi encontrada incendiada a cerca de dois quilômetros do local da execução.

Questionada sobre a participação dele no crime, a SSP ainda não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Polícia acredita em participação do PCC

Derrite afirmou que não há dúvidas sobre a participação do crime organizado na morte do ex-delegado. Segundo ele, Felipe Avelino, o Masquerano, é integrante do PCC, conforme apontado por investigações do Dipol e do centro de inteligência do ABC. Felipe tem antecedentes por roubo e tráfico; Dahesly já foi presa por tráfico, e Luiz por porte ilegal de arma.

Dahesly disse à polícia que não sabia o que transportava, mas que recebeu pagamento via Pix pelo serviço. O valor saiu da conta bancária de uma criança de 10 anos, filho de Luiz, segundo o DHPP. Ela reconheceu Luiz por foto como o homem que a contratou para o transporte da arma.

A polícia identificou os suspeitos com base em denúncias anônimas, imagens de câmeras de segurança e laudos periciais. Parte da apuração também contou com material genético encontrado em um dos carros abandonados após o crime. Apesar das evidências, ainda não está claro o papel exato de cada um na execução nem a motivação do crime.

Como aconteceu o crime que matou o ex-delegado Ruy Ferraz em Praia Grande?

Imagens de câmeras de monitoramento mostram o momento em que um veículo ocupado por pelo menos quatro criminosos estaciona próximo à Secretaria de Educação, na Rua 18 de Novembro, às 18h02. Quatorze minutos depois, o carro dirigido por Fontes se aproxima e é imediatamente alvejado, iniciando uma perseguição. Ele foge em direção à Rua 1º de Janeiro.

Durante a fuga, o carro conduzido pelo ex-delegado colide com dois ônibus e capota na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas. Após o acidente, três homens mascarados descem do veículo e cercam o carro capotado, enquanto um quarto fica na retaguarda para dar cobertura. Armados com fuzis de uso restrito, os suspeitos iniciam o ataque contra a vítima.

O ataque foi realizado à queima-roupa, com os criminosos disparando diversas vezes contra a vítima. De acordo com o registro policial, Fontes foi atingido por mais de 20 disparos, principalmente nos braços, pernas e abdômen. “Foi uma execução com um objetivo claro: eliminar a vítima rapidamente”, disse o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian. Clique aqui para entender a dinâmica do crime.

Repórter mostra ponto de início da perseguição contra ex-delegado; assista


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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