O ex-jogador Reginaldo Rivelino Jandoso, o Piá, de 52 anos, que teve passagem pela Ponte Preta, de Campinas, Santos e Corinthians, foi preso na noite desta segunda-feira (2), na região de Campinas. Ele era alvo de mandado de prisão por envolvimento em esquema de manipulação de resultados esportivos.
A prisão ocorreu em Sumaré, durante patrulhamento do BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). Segundo a ocorrência registrada pela corporação, os agentes circulavam pelo município quando perceberam que o motorista de um Volkswagen Polo demonstrou comportamento incomum ao notar a presença da viatura, alterando o trajeto de forma abrupta.
Os policiais então acionaram sinais sonoros para realizar a abordagem. Piá, contudo, acelerou e tentou fugir.
Uma perseguição foi iniciada e terminou quando o suspeito invadiu um condomínio residencial, rompendo a estrutura da cancela para conseguir acesso ao local.
O veículo foi alcançado logo em seguida e o suspeito acabou rendido. Questionado sobre a tentativa de fuga, Piá disse que havia contra ele um mandado de prisão pendente.
Os policiais do BAEP então confirmaram que o ex-jogador possuía condenação de dois anos e oito meses de prisão em regime inicial fechado por fraude em competição esportiva. Ele foi encaminhado para a Delegacia de Polícia, onde a captura foi formalizada.
O que diz a defesa?
A defesa de Piá disse que o mandado de prisão remonta a uma ocorrência de 2018. “Desde a instauração da ação penal não houve cometimento de fato criminal novo, Reginaldo encontra-se perfeitamente integrado ao convívio social, trabalha na gestão de atletas de futebol, trabalha com crianças carentes em um projeto social da região, é pai de uma menina de 6 anos, possui comorbidades que exigem tratamento especial constante”, informa a defesa.
Furto a caixa eletrônico
Piá já foi preso quatro vezes por furto a caixa eletrônico e já cumpriu duas sentenças: uma de 1 ano e 4 meses de reclusão em regime aberto (agosto de 2016) e outra de 2 anos de reclusão, sendo 1 ano e 7 meses em regime fechado e o restante em regime semiaberto.

Entenda o caso
- Em 2018, quando trabalhava no departamento de futebol do Independente de Limeira, Piá foi denunciado pelo Ministério Público.
- A acusação foi de que ele ofereceu valores entre R$ 3 mil e R$ 7 mil a um goleiro do Independente para sofrer gols em uma partida contra o Comercial, pela então quarta divisão do futebol paulista – o placar terminou 0 a 0.
- Piá negou as acusações, mas, em agosto de 2022, o juiz Rafael da Cruz Gouveia Linardi, da 3ª Vara Criminal de Limeira, considerou Piá culpado por crime previsto no Estatuto do Torcedor de prometer vantagem para outro atleta com objetivo de alterar o resultado.
- Em julho de 2025, a condenação chegou a ser anulada em primeira instância. A decisão de extinguir o processo, do juiz Rudi Hiroshi Shinen, da 3ª Vara Criminal de Limeira, foi tomada a partir do pedido de indulto – que concede perdão de pena a pessoas presas que cumpram critérios específicos – feito pela defesa de Piá com base em decreto presidencial de 2022. O ex-jogador não estava na cadeia e aguardava o julgamento do recurso em liberdade.
- Com parecer favorável do Ministério Público, o magistrado entendeu que Piá atendia aos requisitos do artigo 5 do decreto, que prevê a concessão do indulto “às pessoas condenadas por crime cuja pena privativa de liberdade máxima em abstrato não seja superior a cinco anos”.
- Depois, o próprio Ministério Público recorreu da decisão e o juiz também mudou o entendimento, cassando a própria anulação em janeiro de 2026, o que fez com o que mandado de prisão voltasse a valer.