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Família de corretor morto nega caso gay e considera ‘ultrajante’ ideia de sexo em banheiro de obra

Segundo familiares, a versão apresentada pelo suspeito é falsa, ofensiva e tenta desviar o foco da gravidade do homicídio
Família de corretor morto nega caso gay e considera 'ultrajante' ideia de sexo em banheiro de obra

A família de Wanderley Guanais Mineiro, corretor de imóveis de 63 anos assassinado em Praia Grande, na Baixada Santista, manifestou repúdio à versão apresentada pelo suspeito do crime. Em depoimento à Polícia Civil, o eletricista Cassius Maximiliano Brancatti, de 48 anos, alegou que mantinha um relacionamento secreto com a vítima.

Segundo o investigado, os dois se conheceram há cerca de cinco anos e passaram a ter encontros há dois. No dia do crime, a vítima trabalhava como plantonista em um prédio em construção no bairro Vila Tupi, onde – segundo Cassius – teriam marcado um encontro para encerrar o suposto relacionamento extraconjugal. No entanto, Wanderley acabou morto.

Imagens de câmeras de monitoramento registraram o suspeito entrando e saindo da obra poucos minutos antes da vítima. Cassius foi preso na terça-feira (11), em sua residência no bairro Nova Mirim. Inicialmente registrado como latrocínio, o caso passou a ser tratado como homicídio doloso qualificado, motivado por um desentendimento de natureza passional.

Conduta incompatível com alegações

Na nota enviada à reportagem, os familiares classificam como “infundada, difamatória e ofensiva” a alegação de que Wanderley teria mantido um relacionamento amoroso com o investigado. Para eles, Cassius tenta criar uma narrativa falsa de crime passional para reduzir uma possível pena e desviar a atenção da gravidade do homicídio.

Os parentes afirmam que a vida pessoal de Wanderley sempre foi conhecida por todos e que ele manteve, ao longo da vida, relacionamentos exclusivamente com mulheres. Ainda assim, ressaltam que, “mesmo que sua orientação sexual fosse diferente, jamais haveria motivo para vergonha, ameaça ou constrangimento dentro da família”.

“Wanderley sempre teve apoio incondicional, independentemente de qualquer aspecto de sua vida pessoal”, diz o comunicado enviado ao VTV News. Os familiares reforçam que a suposta ameaça envolvendo a esposa do suspeito não tem qualquer fundamento e classificam a versão apresentada à polícia como uma tentativa deliberada de distorcer os fatos.

Versão de sexo no banheiro revolta parentes

A família também contesta o cenário descrito pelo investigado dentro da obra onde o corpo foi encontrado. Eles afirmam que Wanderley era conhecido pelos hábitos meticulosos de higiene. Por isso, consideram “um absurdo ultrajante” a sugestão de que ele manteria relações sexuais em um banheiro de obra, às 8h da manhã de um domingo.

Além de refutar a narrativa, os familiares dizem estar enfrentando uma segunda violência: a difamação póstuma. Eles afirmam que, além do luto, agora precisam lidar com acusações falsas que atingem a imagem e a memória de Wanderley, classificando o impacto das declarações do suspeito como “doloroso e desrespeitoso”.

Suspeito diz que foi chamado para um último encontro sexual

Conforme apuração do VTV News, Cassius é casado e tem filhos. No interrogatório, o investigado contou que os dois mantinham contato frequente e que, dias antes, Wanderley insistia em marcar um novo encontro. A vítima teria enviado mensagens chamando-o para o empreendimento onde trabalhava, e ele aceitou comparecer para encerrar o caso.

Então, o eletricista disse que foi ao local com o próprio carro e estacionou em uma rua próxima para evitar ser visto. Contou que, ao chegar, foi recebido por Wanderley, que o convidou para tomar café. Em seguida, subiram para o primeiro andar do prédio em construção, onde, segundo o depoimento, a vítima teria sugerido uma relação sexual.

Cassius afirmou que foram até o banheiro a pedido de Wanderley e, naquele momento, começou a ser apalpado. Disse ter pedido que ele parasse múltiplas vezes, mas não foi atendido. Ainda conforme o relato, empurrou o corretor, que reagiu com provocações – como “Virou machinho agora?” – e tentou insistir na relação.

Corretor é assasinado em prédio e suspeito foge com mochila da vítima em Praia Grande
Corretor é assassinado em prédio e suspeito foge com mochila da vítima em Praia Grande – Foto: Polícia Civil

Encontro terminou em briga e morte dentro da obra

Ainda segundo depoimento, a vítima então teria sacado uma faca do bolso e partido em direção ao suspeito, iniciando uma luta corporal. Cassius afirmou que tentou se defender, conseguiu tomar a arma e, durante o confronto, foi atingido por um soco e um chute. Na sequência, disse ter golpeado Wanderley no pescoço. O banheiro ficou coberto de sangue.

Após o crime, o eletricista levou a faca, dois celulares e uma mochila que, segundo ele, continha um gel lubrificante e uma camisinha (veja acima). O corpo foi encontrado na manhã seguinte por um funcionário da obra, que acionou a Polícia Militar (PM). Câmeras de segurança do entorno registraram o momento em que o suspeito entrou e saiu do prédio.

Investigação

O caso foi inicialmente registrado como latrocínio [roubo seguido de morte], já que o autor havia deixado o local com a mochila e outros pertences da vítima. No entanto, após novas diligências e o depoimento do investigado, a polícia passou a tratar o crime como homicídio doloso qualificado, motivado por um desentendimento de natureza passional.

Durante as buscas, os agentes localizaram o veículo usado por Cassius e recuperaram os objetos subtraídos, descartados em um bueiro. O suspeito está preso temporariamente e responderá pelo crime cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Cassius, mas o espaço segue aberto para manifestação.

Versão de sexo no banheiro envolvendo corretor morto revolva parentes no litoral de SP
Versão de sexo no banheiro envolvendo corretor morto revolta parentes no litoral de SP – Fotos: arquivo pessoal

Quem era o corretor morto em Praia Grande?

Wanderley Guanais Mineiro nasceu em São Paulo e tinha ascendência japonesa materna. Casou-se em 1990 e, junto da esposa, mudou-se para o Japão em 1991 em busca de melhores condições financeiras. O casal retornou ao Brasil em 1994, teve um filho e, diante da dificuldade de reinserção no mercado de trabalho, acabou voltando ao Japão pouco tempo depois.

A família permaneceu no país por mais dois anos, até que um acidente de trabalho levou ao retorno definitivo ao Brasil. De volta, Wanderley se formou na Universidade Santo Amaro (Unisa) e passou a atuar no setor comercial de supermercados. O casamento chegou ao fim em 2005, e ele retornou ao Japão, onde permaneceu até 2009.

Ao regressar, Wanderley ingressou na área de corretagem imobiliária, inicialmente na empresa Lopes, e depois mudou-se para Praia Grande – cidade em que foi morto – por causa de um relacionamento. A família conta que ele enfrentou dificuldades financeiras nesse período, mas já havia se restabelecido quando foi assassinado.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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