Uma mulher de 26 anos foi baleada na cabeça pelo namorado em Mongaguá, na Baixada Santista. A vítima, identificada como Maria Kauane Domingos da Silva, foi socorrida em estado gravíssimo e teve a morte confirmada pela polícia nesta segunda-feira (11). Enquanto o suspeito, Cleon dos Santos Pires Querido, foi preso dois dias depois do crime.
Segundo a Polícia Militar (PM), os agentes foram acionados pelo Centro de Operações Policiais Militares (COPOM) para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo na noite de sexta-feira (8). Ao chegarem ao endereço, encontraram moradores na frente do imóvel e, no interior, Maria Kauane caída na entrada da sala, ao lado do sofá.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e levou a vítima para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. De lá, ela foi transferida para o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), a perícia técnica esteve no local e colheu informações para a investigação.
Feminicídio
Ainda na noite do crime, a Polícia Civil registrou a ocorrência como tentativa de feminicídio e, no dia seguinte (9), a Justiça expediu mandado de prisão temporária contra Cleon. A partir daí, equipes da Delegacia Sede de Mongaguá iniciaram diligências para localizá-lo. As buscas envolveram consultas a bancos de dados e deslocamentos pela Cidade.
De acordo com o registro policial, a mobilização durou dois dias até que, no domingo (10), Cleon foi encontrado próximo à Casa de Saúde, localizada na Rua Gilbert Fouad Beck, no bairro Nova Mirim, em Praia Grande. Após a abordagem, o suspeito passou por exame residuográfico, exame que verifica a presença de resíduos de pólvora nas mãos.
“Vida de garota de programa”
Com Cleon, os agentes apreenderam documentos pessoais, cartões bancários, cinco reais em espécie, dois capacetes e uma motocicleta. O celular do suspeito também foi recolhido e os itens foram encaminhados para análise. Em interrogatório, Cleon apresentou várias versões contraditórias sobre os fatos, que não batiam com a linha do tempo investigada pela polícia.
Pouco antes da transferência para a Cadeia Pública de Peruíbe, o suspeito mudou sua postura e confessou ter participação direta na tentativa de feminicídio contra Maria Kauane. Ele afirmou que agiu após “se cansar das traições da vítima, que mantinha vida de garota de programa”. Segundo ele, teria pago um homem para executar o crime na noite do ataque.
Em coletiva de imprensa, a delegada Damiana Shibata Reque, responsável pelas investigações do caso, informou que Cleon já havia sido denunciado por violência doméstica contra outra mulher em Peruíbe, cidade vizinha.
Participação de outro suspeito
À polícia, Cleon negou ter sido o autor dos disparos e afirmou ter pago R$ 10 mil a outro homem para matar Maria Kauane na noite do crime. Segundo ele, este homem mora em Mongaguá e teria usado uma motocicleta própria para ir até a casa da vítima. No entanto, Cleon não explicou com clareza de que forma ocorreu a ação e nem como o disparo foi efetuado.
A Polícia Civil investiga se há, de fato, participação de outro envolvido e busca localizá-lo para prestar depoimento. Até o momento, apenas Cleon está preso. Ele permanece à disposição da Justiça na Cadeia Pública de Peruíbe e, segundo o Código Penal Brasileiro, pode ficar preso por mais de 20 anos caso seja condenado pelo crime de feminicídio (entenda o que significa a seguir).