Um marmorista de 29 anos afirma ter sido agredido por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Praia Grande, na Baixada Santista, ‘sem motivos’. Segundo Lucas Salgado, ele pedalava em direção à própria casa quando foi abordado e atacado sem motivo pelos agentes da Ronda Ostensiva Municipal (Romu).
Salgado relatou que estava em uma tabacaria quando percebeu a aproximação de cinco viaturas e decidiu sair de bicicleta para evitar uma possível confusão com as autoridades. O caso ocorreu em 22 de março, na Avenida São Jorge, no bairro Nova Mirim, por volta de 21h30.
De acordo com o empresário, ao passar pela rua onde estavam as viaturas, foi abordado por um agente, que chutou o pneu da bicicleta. Em seguida, outro guarda o segurou pelas costas e, junto com mais um agente, o derrubou no chão.
Empresário relata ter sofrido golpes com cassetete da GCM durante agressão
Salgado afirmou que foi agredido com chutes, socos e golpes de cassetete. Ele disse não entender o motivo do ataque e pediu que os agentes parassem. Ainda conforme o relato, populares que passavam pelo local tentaram intervir, mas um dos guardas teria apontado uma arma para dispersá-los.
O empresário registrou um boletim de ocorrência no 1° Distrito Policial de Praia Grande, onde relatou que foi algemado e levado para trás de uma viatura. Segundo ele, a agressão continuou mesmo imobilizado. Além disso, afirmou que os guardas negaram seu pedido de atendimento médico e não o apresentaram à delegacia.
O advogado Bruno Yamamoto, que representa Salgado, classificou à reportagem o caso como “grave e preocupante”. Ele declarou que a atitude dos agentes compromete a credibilidade da GCM de Praia Grande. Para ele, é essencial que abusos como esse sejam investigados e punidos de forma rigorosa.
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O defensor aguarda o despacho do delegado para dar continuidade ao caso e já acionou a Corregedoria da GCM. Além disso, pretende levar a denúncia ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para aprofundar as investigações. Enquanto isso, Salgado realizou exames de corpo de delito para comprovar as agressões.
O que diz a Prefeitura de Praia Grande?
Por outro lado, a Prefeitura de Praia Grande apresentou outra versão dos fatos, em nota. Segundo nota oficial, a GCM foi acionada devido a um baile funk com denúncias de perturbação do sossego, e agentes da Romu foram enviados para conter possíveis tumultos.
De acordo com o município, Salgado estaria “visivelmente alcoolizado” e teria tentado furar o bloqueio da guarda duas vezes. Além disso, a prefeitura alega que ele se colocou em posição de luta e gerou uma confusão generalizada, onde garrafas e pedras foram lançadas contra os agentes.
A administração municipal informou que um dos guardas ficou ferido e precisou de atendimento médico no pronto-socorro. Segundo a prefeitura, o empresário foi liberado após ser orientado sobre sua conduta, já que não portava nada ilícito.
Por fim, a prefeitura afirmou que a GCM conta com uma corregedoria interna que apura eventuais irregularidades cometidas por seus agentes. O caso segue em investigação para esclarecimento.