Um médico de 62 anos foi preso em flagrante após ser acusado de praticar racismo contra uma paciente de 66 anos em um hospital estadual localizado em Praia Grande, nolitoral de São Paulo. O incidente ocorreu na tarde da última terça-feira (3), no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), localizado no bairro Mirim.
Conforme apurado pelo VTV News, a paciente procurava atendimento médico de rotina quando teria sido alvo de falas e gestos racistas do profissional. Conforme relatos, a situação gerou confusão no local e a Polícia Militar (PM) foi acionada. A mulher estava acompanhada de uma amiga, que presenciou parte do ocorrido.
De acordo com o boletim de ocorrência (BO), a paciente relatou que, ao entrar no consultório, o médico teria afirmado que a “sala escureceu”, frase que causou estranhamento imediato. Em seguida, durante a aferição da pressão arterial, ele teria feito gestos e ruídos interpretados como alusivos a um macaco.
Médico negou racismo
Funcionários do AME também foram acionados, e a PM chegou ao local pouco depois. No consultório, os agentes encontraram a vítima, a testemunha que a acompanhava e o médico, todos ouvidos separadamente. A paciente relatou que se sentiu “humilhada, constrangida e emocionalmente abalada”.
Em depoimento à polícia, o médico negou as acusações. Ele afirmou que estava ao telefone conversando com um amigo no momento do atendimento e que a expressão “escureceu” se referia apenas à mudança do tempo, sem intenção de ofender. Também garantiu que os gestos e ruídos não tiveram caráter discriminatório.
Apesar disso, a Polícia Militar considerou os relatos da vítima e da testemunha suficientes para caracterizar o flagrante. O profissional foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde o caso foi registrado como crime de preconceito de raça ou cor, permanecendo à disposição da Justiça enquanto as providências legais seguem.
Decisão judicial
A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que o médico foi preso em flagrante e encaminhado à delegacia, onde a prisão foi formalizada após os procedimentos de praxe. Na quarta-feira (4), Hermano José da Silva passou por audiência de custódia no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), conforme os registros.
Na ocasião, segundo o próprio órgão, a Justiça concedeu liberdade provisória ao investigado mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as determinações estão o comparecimento mensal em juízo e a proibição de se ausentar da comarca por mais de sete dias sem autorização judicial, segundo informou o TJ-SP.
Também em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que determinou a abertura imediata de uma sindicância para apurar a denúncia, diante da gravidade do ocorrido. A Fundação ABC, gestora do AME e responsável pela contratação do médico, informou que ele foi afastado de suas funções para a investigação.
A defesa de Hermano José da Silva ainda não foi localizada pela reportagem, mas o espaço segue aberto.