O menino de dois anos que sobreviveu ao incêndio provocado pela irmã de 14 anos, em um apartamento em Guarujá, na Baixada Santista, recebeu alta hospitalar. Ele ficou internado por 24 dias no Hospital Santo Amaro (HSA) após o ocorrido, que ocorreu em 14 de julho. A tragédia deixou a irmã mais nova, de apenas 11 meses, morta no local.
No momento do incêndio, uma terceira irmã, de cinco anos, estava na área comum do conjunto habitacional, localizado no bairro Cantagalo. Segundo o delegado Glaucus Vinicius Silva, a adolescente apreendida afirmou que não fez nada contra a pequena porque “não dava trabalho”, ao contrário dos outros irmãos.
O menino chegou a ficar em estado grave por inalar fumaça. Em 29 de julho, o HSA informou que ele respirava sem ajuda de aparelhos, mas seguia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. No dia seguinte (28), foi transferido para um leito de enfermaria, onde permaneceu até se recuperar. A alta hospitalar ocorreu na última quinta-feira (7), às 18h25, com confirmação ao VTV News nesta quarta (13).
Investigação
A Polícia Civil concluiu a investigação e apontou que a adolescente agiu sozinha. Segundo a corporação, houve prova da materialidade e indícios claros de autoria, sem qualquer indício de apoio ou instigação de outra pessoa. A jovem teria pesquisado na internet como explodir um botijão de gás antes do incêndio.
O caso foi registrado como homicídio e tentativa de homicídio pela Delegacia de Guarujá. Em depoimento, a menina relatou que apanhou da mãe antes do crime e que não queria mais cuidar dos irmãos. Com a finalização do inquérito, a Polícia Civil encerra sua atuação e repassa os documentos ao Ministério Público (MP).
Caberá ao MP avaliar se oferecerá representação – equivalente a uma denúncia -, ou se arquivará ou concederá remissão do processo. Caso avance, a Justiça decidirá se aplica medida socioeducativa. A Justiça poderá determinar medidas que variam desde advertências até internação, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Apartamento destruído
Um vídeo obtido pela Reportagem mostra o cenário de destruição no interior do apartamento. Colchões queimados, paredes enegrecidas e fuligem espalhada revelam a intensidade do incêndio. Também aparecem pertences da família jogados pelo chão.
As imagens percorrem quartos, sala, banheiro e cozinha. É possível ver caixas de papelão, roupas, brinquedos e sacolas em meio ao ambiente completamente danificado (assista a seguir).
O delegado Glaucus Vinicius classificou o caso como “sombrio” e “aterrorizante”. “Ela falou com muita tranquilidade, olhando nos meus olhos, disse que já não aguentava mais cuidar dos irmãos e queria se ver livre daquilo”, afirmou em entrevista à VTV, afiliada do SBT.