A Justiça de São Paulo tornou réu o motorista acusado de provocar o acidente que matou a nutricionista Daniella Ferraz Rooth, de 25 anos, em Guarujá, no litoral de São Paulo. A decisão foi assinada na sexta-feira (14) pela 1ª Vara Criminal de Guarujá, que recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Com isso, Murilo Rabello Abite, de 26 anos, passa a responder a uma ação penal pelo caso.
Conforme noticiado anteriormente, Daniella morreu em 19 de julho, depois que o carro em que estava bateu contra um poste na Avenida Leomil, no bairro Pitangueiras. Ela estava com outras sete pessoas e foi socorrida em estado grave, mas não resistiu. Segundo a denúncia do MP-SP, Murilo dirigia sob efeito de álcool e teve a capacidade psicomotora comprometida no momento do acidente.
Ao receber a denúncia, o juiz André Rossi considerou que estavam presentes os requisitos necessários para o início da ação penal. No documento, ele determina que o acusado seja citado para “responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias”. A partir disso, a defesa poderá apresentar documentos, testemunhas e outras provas que considerar necessárias.
O acidente
O VTV News apurou que o grupo voltava de uma festa realizada em Santos, cidade vizinha. Daniella estava a cerca de 750 metros de casa quando o veículo atingiu o poste. Uma câmera de monitoramento registrou o acidente e mostrou os ocupantes deixando o carro após a colisão (veja abaixo).
A nutricionista foi encontrada desacordada e levada ao Hospital Casa de Saúde do Guarujá. Ela sofreu traumatismo craniano grave e choque hemorrágico, mas morreu após dar entrada na unidade. Murilo foi preso em flagrante na ocasião e posteriormente conseguiu responder ao processo em liberdade.
O que diz a decisão
Na nova decisão, a Justiça determinou que sejam reunidos documentos médicos de uma das vítimas e que o Instituto Médico-Legal (IML) faça um novo exame a partir desse material. O juiz também determinou que sejam encaminhados os laudos da perícia realizada no local do acidente e do exame necroscópico de Daniella.
O processo contra Murilo foi aberto com base nos artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) referentes a homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa. A Justiça, porém, arquivou a investigação sobre a lesão corporal culposa que tinha um segundo jovem como vítima, “por falta de base para o oferecimento da denúncia”. Já o processo relacionado à morte de Daniella segue em andamento.

Quem era Daniella Rooth?
Daniella Rooth – ou apenas Dani, como preferia ser chamada – era nutricionista e estava concluindo uma pós-graduação em Nutrição em Saúde Mental e Comportamento Alimentar.
Conforme apurado pelo VTV News, a jovem se apresentava nas redes sociais como “Nutri”, uma forma abreviada da profissão, e administrava um perfil com pouco mais de 470 seguidores. Na página, compartilhava conteúdos que, segundo ela, envolviam “escuta, rotina, emoções, nossa relação com o corpo e com a comida”.
O perfil também indica que Dani oferecia consultas com duração entre uma hora e uma hora e meia, em atendimentos presenciais e on-line nas cidades de Santos e Guarujá. Os serviços incluíam avaliação individual, solicitação de exames laboratoriais, elaboração de planos alimentares personalizados e uma consulta de retorno após um mês.
“Acredito em uma nutrição leve, individualizada e sem extremismos. Nada de planos prontos ou restrições exageradas. Aqui, cada atendimento é adaptado à sua rotina, seus objetivos, seus gostos, preferências e à sua realidade. Meu papel é te ajudar a construir uma alimentação possível, com consciência, autonomia e equilíbrio – sem culpa, sem neura. Trago em cada consulta um olhar acolhedor sobre o comportamento alimentar e a importância da saúde mental e emocional nesse processo – porque saúde de verdade é cuidar do corpo e da mente”,
escreveu a jovem em sua apresentação.
