O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o empresário Ruy Barboza Neto, de 26 anos, por três homicídios qualificados e uma lesão corporal decorrentes do acidente que matou jovens em São Vicente. O órgão também solicitou que ele seja levado a júri popular e pediu que as famílias das vítimas sejam indenizadas em, no mínimo, R$ 100 mil.
O caso aconteceu em 9 de novembro, na alça de acesso que liga o km 68 da Rodovia dos Imigrantes à Avenida Capitão Luiz Pimenta. No veículo dirigido por Ruy estavam quatro mulheres. Três delas morreram: Geovana Ramos Reis, de 26 anos; Vitória Gomes Maximino da Silva, de 22; e Bianka de Braz Feitoza Pinto, de 25.
Segundo a denúncia, o empresário conduzia o Audi Q5 embriagado e em alta velocidade após sair da casa noturna Rocket Sea Club. Ao fazer uma curva, perdeu o controle, atravessou um córrego e caiu no leito de um canal da região. Ao VTV News, o advogado Felipe Pires de Campos enviou nota oficial sobre o caso (leia a seguir).
Acusações
De acordo com o MP, Ruy teria confessado ter consumido álcool naquela noite, e um exame clínico confirmou a embriaguez. Por isso, o órgão afirma que ele assumiu o risco de provocar as mortes. A promotoria também destacou a gravidade do caso e a periculosidade do condutor, ressaltando que sua prisão foi mantida na audiência de custódia.
O documento do MP afirma: “Ruy assumiu o risco de produzir a morte das vítimas Geovana, Vitória e Bianka e a lesão da ofendida Nicollie Kauane, bem como de qualquer pessoa que cruzasse o seu caminho, tendo preferido assim agir a deixar de fazê-lo”. O texto reforça a tese de dolo eventual, quando o motorista assume o risco de causar morte.
O promotor de Justiça Rafael Viana de Oliveira Vidal também pediu que seja negado o pedido de revogação da prisão apresentado pela defesa do acusado. Segundo ele, a manutenção da prisão preventiva é necessária para garantir o bom andamento da instrução processual.
Pedidos adicionais
Entre as solicitações feitas pelo Ministério Público estão a juntada de novos laudos periciais, a obtenção de imagens externas, informações sobre consumo de bebidas na casa noturna e a identificação de todas as testemunhas citadas nos registros policiais. A intenção é reforçar a versão apresentada na denúncia.
A acusação foi formalizada em 19 de novembro e aguarda decisão do Judiciário. Caso seja aceita, Ruy Barboza Neto se tornará réu e passará oficialmente à fase de instrução do processo, quando novas provas e depoimentos serão analisados. As informações foram confirmadas pelo MP-SP à reportagem nesta quinta-feira (27).

Defesa contesta prisão e pede julgamento equilibrado
A defesa de Ruy afirmou, em nota, que o processo ainda está no início e que não é possível concluir a dinâmica do acidente neste momento. Segundo o texto, “o processo ainda se encontra em fase inicial e […] diversas diligências estão pendentes de realização”, ressaltando que o empresário tem colaborado “sem qualquer tentativa de obstruir a investigação”.
A posição também critica a prisão preventiva. De acordo com a defesa, “todas as garantias constitucionais devem ser observadas” e a manutenção da prisão é injustificada, já que Ruy possui “residência fixa, atividade lícita e nenhum histórico de violência”. O advogado afirma ainda que a denúncia será enfrentada com “serenidade e rigor técnico”.
A nota, emitida pelo advogado Felipe Pires de Campos, termina com solidariedade às famílias e pedido por um julgamento equilibrado. A defesa destaca que “a responsabilização penal deve ocorrer exclusivamente dentro dos limites da lei” e que seguirá atuando para garantir “um processo justo, equilibrado e conforme o devido processo legal”.