A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação Caffeine Break para desarticular uma organização criminosa responsável por desviar produtos químicos — sobretudo cafeína — para o tráfico de drogas. Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de prisão temporária e de busca e apreensão no Vale do Paraíba e Litoral Norte, com bloqueio judicial de R$ 72 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados.
As ações ocorreram em São José dos Campos e Caraguatatuba, com seis mandados na primeira (dois de prisão e quatro de busca) e cinco na segunda (um de prisão e quatro de busca). A operação é resultado de uma investigação conduzida pelo setor de produtos químicos da PF em São José dos Campos, após identificação de movimentações atípicas na compra de substâncias controladas por uma empresa da região.

Reincidência e estrutura profissionalizada
Segundo a PF, a empresa envolvida atua no ramo de suplementos alimentares e energéticos à base de cafeína. Um dos sócios já havia sido preso em 2010 por participação em um esquema similar de desvio de substâncias químicas. De acordo com a investigação, ele teria retomado a atividade criminosa com um esquema mais estruturado e com apoio de profissionais especializados, incluindo químicos, farmacêuticos, despachantes aduaneiros e advogados.
As investigações apontam que o grupo movimentou pelo menos 550 toneladas de cafeína, substância classificada como controlada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando comercializada em grandes volumes ou com alto grau de pureza.

Operação da PF em expansão
Além das cidades do Vale e Litoral, a operação teve desdobramentos em diversos municípios paulistas: São Paulo, Cerquilho, Diadema, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Suzano e Tietê. No Rio de Janeiro, também foram cumpridos mandados judiciais.
Ao todo, a Justiça Federal determinou 59 bloqueios de contas bancárias e 83 sequestros de bens móveis e imóveis dos investigados. O montante bloqueado alcança a cifra de R$ 72 milhões, segundo a corporação.
As investigações prosseguem sob sigilo.