Dois homens foram presos na manhã deste domingo (5) durante uma operação contra um esquema de sorteios ilegais em Piracicaba, no interior de São Paulo. A ação ocorreu no momento em que o grupo realizava, ao vivo, a transmissão do sorteio clandestino chamado “Vida Sorte”, divulgado na região.
Segundo a investigação, o esquema vendia cartelas por R$ 10 e funcionava com divulgação em redes sociais, aplicativos de mensagens e revendedores. Os produtos eram apresentados como “certificados premiáveis”, com promessa de prêmios em dinheiro que chegavam a R$ 100 mil, além de valores menores e rodadas de sorteios.
As apurações tiveram início após denúncias anônimas sobre a venda irregular das cartelas. A partir disso, a Polícia Civil passou a monitorar o grupo, com autorização da Justiça, e os suspeitos foram localizados em um imóvel no bairro Vila Monteiro, acompanhados de uma equipe contratada de produção audiovisual.
Sorteios ilegais
A investigação da Polícia Civil aponta que o grupo utilizava um certificado de autorização vinculado a uma entidade do Pará para tentar dar aparência de legalidade à atividade. Ainda segundo a apuração, a empresa responsável não tinha autorização dos órgãos federais para realizar sorteios comerciais.
Os presos são dois homens, de 60 e 65 anos, sendo que um deles é apontado como organizador do esquema e o outro como responsável formal pela empresa usada como fachada. A pessoa jurídica teria sido aberta pouco antes do início das operações, segundo a Polícia Civil. As identidades deles, porém, não foram divulgadas.

Possível lavagem de dinheiro
Durante a operação, os policiais apreenderam R$ 610 mil em espécie, além de três veículos de luxo, celulares, computadores, documentos e materiais usados no sorteio, como urna e equipamentos de contagem de dinheiro. A polícia estima que, com a emissão de até 100 mil bilhetes, o esquema poderia movimentar cerca de R$ 1 milhão.
Como a premiação anunciada somava R$ 115 mil, os investigadores apontam indícios de estelionato e possível lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de contas e valores ligados aos investigados, e o caso segue em apuração. O espaço para manifestação da defesa de ambos permanece aberto.