A Justiça de Santos, na Baixada Santista, condenou um restaurante a pagar oito salários mínimos – cerca de R$ 12,1 mil – por danos morais ao ator Tales Ordakji, de 27 anos. Em janeiro deste ano, o jovem encontrou uma barata viva dentro de um poke enquanto jantava com amigos (assista mais abaixo). A decisão foi proferida no último dia 29 e ainda cabe recurso.
O caso aconteceu em um restaurante localizado na Rua Tolentino Filgueiras, conhecida como a Rua Gastronômica de Santos. Segundo Ordakji, ele já havia consumido parte do prato quando percebeu a barata prensada entre o arroz e o salmão cru. “Foi uma cena absurda”, disse. Na ocasião, o gerente do restaurante pediu desculpas e não cobrou pela refeição.
Mesmo assim, Tales afirmou ter passado o dia seguinte com enjoos e náuseas, além de medo de contaminação. “Poderia ter morrido se contraísse algumas das sérias doenças que poderiam ser transmitidas [pela barata]”, relatou ao VTV News.
“Nojentão”, diz ator
Em um vídeo obtido pela Reportagem, é possível ver que, por pouco, o ator não ingeriu o inseto. “Se fosse um fio de cabelo ou cílios, também seria repulsivo, mas conseguimos tentar entender o descuido. Mas, uma barata viva no meio da comida é algo além do absurdo”, lamentou. Ele registrou boletim de ocorrência (BO) e acionou o advogado Bruno Macedo.
A defesa entrou com uma ação por danos morais no valor de R$ 15 mil. O juiz Guilherme de Macedo Soares, da 2ª Vara do Juizado Especial Cível de Santos, julgou o pedido parcialmente procedente. O restaurante, por outro lado, chegou a pedir R$ 60 mil de indenização por danos morais, alegando que teve a reputação afetada por publicações nas redes sociais.
No entanto, o pedido foi negado pela Justiça, que criticou a falta de provas apresentadas pelo local. “Não é crível que um estabelecimento como a requerida não disponha de imagens de vídeo arquivadas, mormente após a repercussão alcançada pelo fato em questão, que poderiam dirimir a dúvida suscitada pela própria ré”, declarou.

Risco à saúde
Em nota, o advogado Bruno Macedo disse que o valor da indenização foi justo, levando em conta a gravidade do que aconteceu. Ele também explicou que o objetivo da ação não foi prejudicar o restaurante, mas garantir que o problema fosse reconhecido e reparado, como determina o Código de Defesa do Consumidor.
“Lamentamos profundamente a postura do restaurante, que tentou transferir a responsabilidade para a vítima. Chegaram a insinuar que o Tales poderia ter colocado o inseto no prato. Ainda pediram que ele fosse condenado a pagar 40 salários mínimos por supostos danos morais, pedido totalmente rejeitado pelo juiz”, disse.
Geralmente, o poke havaiano é feito com peixe cru cortado em cubos, arroz, vegetais, frutas, algas e molhos. Para o juiz, a presença de uma barata viva no alimento “ultrapassa os limites do mero aborrecimento” e representa risco à saúde. O restaurante foi procurado pelo VTV News, mas não retornou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.