A frase destacada no título é atribuída a um estudante de uma universidade particular de Santos, na Baixada Santista. Ela faz parte de uma sequência de mensagens enviadas em um grupo de WhatsApp com amigos. Os trechos começaram a circular nesta sexta-feira (28) e provocaram indignação dentro e fora da instituição.
Nas conversas, o jovem afirma que poderia “enfiar dedo no olho” da vítima e diz que a abordaria “de máscara” quando ela estivesse “sozinha” para agredi-la em uma festa universitária. O conteúdo foi compartilhado por um dos integrantes do grupo, se espalhou rapidamente e chegou até a própria estudante citada nas mensagens.
Segundo apuração do VTV News, os dois se conheceram durante um evento de Carnaval no Centro de Santos, no meio deste mês. Após uma brincadeira em que ele precisaria escolher alguém para beijar, trocaram contatos e passaram a conversar. Com o tempo, porém, a universitária perdeu o interesse nas investidas.
Escalada da violência
De acordo com pessoas próximas ouvidas pela reportagem, o rapaz não teria aceitado o afastamento e passou a fazer comentários ofensivos ao perceber que estava sendo ignorado. Mensagens agressivas foram enviadas a amigos. Parte do conteúdo veio a público e ampliou a repercussão do caso (leia abaixo alguns dos diálogos).
- “Mó mina fdp”.
- “Eu vou chutar ela na rua”.
- “Quando ela estiver sozinha, vou de máscara”.
- “Não vai nem saber qm é”. [SIC]
Em outra parte da conversa, as ameaças ganham contornos ainda mais graves:
- “Bater o p*u na língua”.
- “Enfiar dedo no olho”.
- “Se eu não deixar ela cega meu nome não é…”
- “Se ela n quiser transar eu estupro, no mínimo.” [SIC]
A jovem também passou a ser atacada poucas horas depois de ter sido chamada de “especial”, apesar do pouco tempo de conversa. “Nem sei por que peguei você. Você parece um chupa-cabra de tão feia. Mas o bom é que seu prédio só tem gostosa”, escreveu. Após a divulgação das mensagens, a estudante decidiu expor o caso.

Providências
A equipe de reportagem entrou em contato com a vítima das ameaças e com a família. A mãe dela agradeceu a procura, mas informou que não pretende se posicionar publicamente neste momento.
Contudo, a vereadora santista Débora Camilo (PSOL), conhecida pela atuação em defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero, conversou com a jovem e informou à reportagem que a família já está tomando as providências necessárias para garantir a integridade dela e registrar o caso junto à Polícia Civil.
Para a parlamentar, o caso revela um problema estrutural. “Isso ocorreu dentro de um grupo, então a pessoa se sentiu bem à vontade para externar o que pretendia fazer. Foi uma mensagem, mas poderia acontecer o pior”, afirmou. Ela defende mais debate sobre machismo e violência de gênero nos ambientes universitários.
Pronunciamento
Após a repercussão, o estudante publicou um vídeo nas redes sociais. No pronunciamento, ao qual o VTV News teve acesso, ele admitiu ter tido uma “atitude horrível”, classificou o comportamento como “coisa de moleque” e afirmou estar arrependido. Também disse que pediu desculpas à colega e a outros alunos da faculdade.
“Quem me conhece sabe que eu nunca fui assim, nunca tratei ninguém dessa forma. Eu não tenho o que dizer, eu errei muito e já me retratei, mesmo que indiretamente, mas queria deixar claro que estou arrependido”.
O que diz a universidade?
A assessoria de imprensa da universidade onde ambos estudam também se manifestou, por meio de ligação telefônica, à reportagem. Segundo a instituição, foi instaurado um procedimento interno para “apuração rigorosa dos fatos”. A universidade afirmou ainda que trata qualquer caso de violência com máxima seriedade e que repudia condutas que representem desrespeito ou violação à dignidade da comunidade acadêmica.
Já a associação atlética do curso, que representa os alunos junto à direção do campus, foi procurada para comentar o caso, mas não se posicionou oficialmente até a publicação desta reportagem. Por fim, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), que também foi contatada, ainda não se manifestou.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
- Disque 190 – Polícia Militar
- Disque 180 – Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Disk Denúncia
- Delegacias de Defesa da Mulher – https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp
- Atendimento presencial em delegacias da polícia e salas DDM Online – https://prefeitura.sp.gov.br/web/direitos_humanos/w/mulheres/rede_de_atendimento/2096