Um dos sobreviventes da queda de um helicóptero em uma área de mata de Iaras, no interior de São Paulo, foi identificado pela polícia como um homem procurado pela Justiça e apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santos como ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conforme apurado pelo SBT Central, afiliado do SBT no Centro-Oeste Paulista, o helicóptero caiu durante a madrugada de domingo (20), em uma região de mata fechada. As três pessoas que estavam na aeronave foram encontradas com vida e levadas para atendimento médico em Avaré, também no interior paulista.
A queda aconteceu no sábado (19), durante um voo que teria saído de Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo, com destino a Londrina, no Paraná. Uma das vítimas conseguiu acionar a Polícia Militar (PM) usando um tablet. Além da polícia, o pedido de socorro mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.
A aeronave envolvida no acidente, de prefixo PT-YBL, é um helicóptero modelo Agusta A109C. Dados do cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o Certificado de Aeronavegabilidade estava cancelado e que o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade estava vencido desde maio de 2019.
Prisão
Paulo Cézar Silva dos Santos, de 44 anos, conhecido como “Testinha”, foi preso depois de ser resgatado junto com outros dois ocupantes da aeronave. Segundo o Gaeco, ele possui ligação com a facção e é investigado por participação no sequestro de um advogado em Cubatão, no litoral de São Paulo.
Durante o resgate, Paulo chegou a apresentar uma identidade falsa aos policiais, mas a consulta no Muralha Paulista, sistema policial, permitiu descobrir sua verdadeira identidade. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), ele foi identificado como procurado pela Justiça por tráfico de drogas e roubo.
Procurado pelo VTV News, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que o acusado passou por audiência de custódia nesta segunda-feira (21). Conforme o órgão, trata-se do cumprimento de um mandado de prisão e não foram constatadas irregularidades na prisão. Por conta disso, ele permaneceu detido.

Sequestro de advogado
O advogado criminalista Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado em junho deste ano e levado para uma comunidade em Cubatão, onde, segundo seu relato, foi submetido a um chamado “tribunal do crime”. O caso começou após o profissional ajuizar uma ação contra uma empresa que era “de interesse do PCC”.
Rafaell contou que foi atraído ao local após receber um contato de Wagner Rodrigues dos Santos, suposto integrante da facção. Segundo o advogado, ele acreditava que prestaria auxílio relacionado à defesa de um homem preso. Contudo, foi orientado a encontrar o suspeito em uma comunidade na Vila Esperança.
O advogado permaneceu no local das 19h até a 1h da madrugada seguinte, onde cerca de 30 pessoas teriam feito ameaças e tortura psicológica. Wagner e outros envolvidos acompanharam a situação por videochamada. Rafaell foi liberado somente depois de concordar em desistir da ação judicial – o que, de fato, foi feito.




