“Só manda o telefone para nós não te matar” foi a última coisa que o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, ouviu antes de ser espancado e ter seus itens pessoais roubados em Santos, no litoral de São Paulo. O momento da abordagem foi filmado durante uma transmissão ao vivo no TikTok (veja abaixo).
Nas imagens, é possível ver Marcelo – de camisa clara, bermuda azul e um adesivo da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no peito – sendo abordado pelos criminosos. Um deles pede o telefone do engenheiro e, em seguida, os demais partem para cima da vítima. O espancamento não foi capturado pelas imagens.
“Eita, porra. Tomou no cu. Nossa, dormiu, louco”,
diz um dos criminosos.
Durante a transmissão, uma das pessoas que acompanhavam a live comentou que Marcelo havia sido “pego”. A identidade dos envolvidos ainda não foi divulgada pela Polícia Civil.
O VTV News apurou que Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente, nas imediações do cruzamento da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, na Vila Mathias. Antes de ser agredido, ele se afastou do grupo para ir ao banheiro, por volta das 3h.
Como Marcelo não retornou, amigos decidiram procurá-lo e o encontraram desacordado, com sinais de espancamento pelo corpo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o levou à Santa Casa de Santos, onde precisou ser intubado e permaneceu internado em estado grave.
Não morreu
Ao VTV News, amigos de Marcelo negaram que ele tenha morrido ou sofrido morte encefálica. Segundo eles, o quadro é “delicado” e ele está em coma induzido, condição provocada intencionalmente pela equipe médica com o uso de medicamentos sedativos e anestésicos, em ambiente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Ainda de acordo com o relato dos amigos, Marcelo deverá ser transferido para continuar o tratamento em um hospital na capital paulista. O transporte deverá ser feito por uma ambulância com estrutura de UTI móvel, que permite a manutenção dos cuidados intensivos durante o trajeto.

Posicionamento
Em nota divulgada nas redes sociais após o ataque, a Banda Esquerdantina lamentou a violência sofrida por Marcelo e cobrou rapidez na apuração dos fatos, além da punição dos envolvidos. “Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia”, afirmou o grupo.
A associação atlética do campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde Marcelo é mestrando em Ecologia Marinha, também se manifestou, expressando “enorme indignação”.
“Nenhuma pessoa deveria ter sua integridade, sua dignidade ou sua vida colocadas em risco em razão de quem é ou do que acredita. Atos de violência e homofobia são inaceitáveis e não podem ser tratados com indiferença. Reforçamos a importância de uma apuração rigorosa dos fatos e de que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados. […] Pelo respeito, pela diversidade e por uma universidade, sociedade e uma vida onde todos possam viver e conviver sem medo, continuamos lutando dia a dia”,
escreveram os estudantes.

Como está a investigação
Até o momento, não há informações oficiais sobre o que pode ter motivado o ataque, mas amigos e testemunhas suspeitam que esteja relacionado à homofobia e ao posicionamento político da vítima. A Santa Casa de Santos foi procurada, mas não confirmou o óbito nem informou o atual estado de saúde dele.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), por sua vez, informou que a vítima foi agredida por diversos indivíduos e teve o celular e outros pertences, não especificados, roubados. O caso foi registrado no Centro de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos, e as investigações seguem para esclarecer o ocorrido.




