O Dia Nacional de Combate ao Fumo, em 29 de agosto, chama atenção para os prejuízos provocados pelo tabagismo. Embora os danos aos pulmões e ao coração sejam os mais conhecidos, o cigarro também pode deixar sinais em outras partes do corpo, como boca, olhos e voz.
Em 2026, a campanha do Instituto Nacional de Câncer (INCA) tem como tema “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”. A data existe desde 1986 e busca ampliar a conscientização sobre os impactos do consumo de produtos derivados do tabaco.
Alguns desses efeitos podem começar com mudanças aparentemente simples, como uma ferida na boca que demora a desaparecer, irritação nos olhos ou rouquidão persistente. Especialistas ouvidos em materiais enviados à VTV destacam que observar esses sinais e procurar atendimento quando eles persistem pode ajudar na identificação precoce de problemas de saúde.
Dia Nacional de Combate ao Fumo: quais sinais merecem atenção?
Alterações isoladas não significam necessariamente a presença de uma doença grave. No entanto, principalmente entre fumantes, mudanças persistentes merecem avaliação de um profissional.
Entre os sinais destacados pelos especialistas estão:
- Feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias;
- Manchas brancas ou avermelhadas na boca;
- Caroços ou nódulos;
- Dificuldade para mastigar ou engolir;
- Rouquidão que persiste por mais de duas semanas;
- Pigarro e cansaço ao falar;
- Ardência, vermelhidão ou sensação de areia nos olhos;
- Visão progressivamente embaçada.
Feridas e manchas na boca exigem atenção
A boca recebe diretamente as substâncias presentes na fumaça. Segundo a cirurgiã-dentista Priscila Cordeiro, diretora da Neodent, o tabagismo pode favorecer doenças gengivais, perda dentária e alterações que exigem acompanhamento profissional.
“Além de aumentar o risco de doenças gengivais e câncer de boca, o hábito pode contribuir para a perda dentária”, explica Priscila.
O câncer da cavidade oral também está entre os pontos de atenção. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 17.190 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 12.260 entre homens e 4.930 entre mulheres.
Feridas que permanecem por mais de 15 dias, manchas, caroços e dificuldades para movimentar a língua, mastigar ou engolir estão entre as alterações que devem levar o paciente a buscar avaliação. Esses sintomas, porém, também podem ter outras causas.
Cigarro também pode prejudicar a visão
Os olhos não ficam fora dos efeitos do cigarro. De acordo com o oftalmologista Michel Farah, professor titular de Oftalmologia da EPM/Unifesp e médico do H.Olhos, o tabagismo provoca alterações que podem atingir a retina, o nervo óptico e outras estruturas importantes para a visão.
Entre os problemas associados ao hábito estão a degeneração macular relacionada à idade, conhecida como DMRI, e a catarata. A fumaça também pode irritar diretamente os olhos, causando ardência, vermelhidão, ressecamento e sensação de areia.
“A pessoa pode continuar enxergando aparentemente bem enquanto alterações importantes já estão acontecendo”, alerta Michel Farah.
Por isso, o especialista recomenda acompanhamento oftalmológico, especialmente para quem fuma e apresenta outros fatores de risco para doenças dos olhos.
Rouquidão persistente não deve virar algo “normal”
A mudança na voz é outro sinal que pode passar despercebido. A fumaça do cigarro entra em contato diretamente com a laringe e pode provocar irritação e inflamação das pregas vocais.
Segundo a otorrinolaringologista Naiara Amorim, do HOPE, o fumante pode apresentar voz mais áspera, pigarro frequente, cansaço durante a fala e dificuldade para manter conversas por períodos mais longos.
“Muita gente acredita que a rouquidão faz parte do hábito de fumar e acaba negligenciando esse sinal. No entanto, qualquer alteração na voz que persista por mais de duas semanas merece investigação médica”, alerta a especialista.
Naiara também destaca que o tabagismo está relacionado a problemas mais graves na laringe. Por isso, mudanças persistentes na voz, dificuldade para engolir ou tosse contínua não devem ser ignoradas.
Quer parar de fumar? SUS oferece tratamento gratuito
Além de ficar atento aos sinais do organismo, abandonar o cigarro reduz a exposição contínua às substâncias tóxicas do tabaco. O Dia Nacional de Combate ao Fumo também reforça a importância de buscar ajuda para quem enfrenta dificuldade em deixar o hábito.
O SUS oferece tratamento gratuito para pessoas que desejam parar de fumar. Segundo o INCA, o atendimento pode envolver avaliação profissional, acompanhamento individual ou em grupo e, quando necessário, medicamentos para ajudar no controle da abstinência.
Quem deseja iniciar o tratamento pode procurar uma unidade de saúde e buscar informações sobre o atendimento disponível no município. O INCA também reúne orientações para quem quer parar de fumar.