O vocalista da banda Aliados, Gustavo Tavares Juda Mata Barreto, conhecido como Gustavo Fildzz, foi condenado pela Justiça de Praia Grande por tráfico privilegiado. A pena definida é de dois anos em regime aberto. Desde outubro de 2023, ele respondia ao processo em liberdade provisória. A defesa afirmou que vai recorrer da decisão.
No mesmo processo, Wagner Rosário Gonçalves, apontado como caseiro dos imóveis ligados ao cantor, também foi condenado na sexta-feira (14). Ele recebeu pena de um ano e nove meses, igualmente em regime aberto. Assim como Fildzz, Wagner havia sido solto em outubro de 2023 e agora passa a responder condenado em primeira instância.
O tráfico privilegiado é aplicado quando a Justiça reconhece o crime, mas entende que o réu é primário, tem bons antecedentes e não integra organização criminosa. Nesses casos, a pena pode ser reduzida e substituída por medidas alternativas. As defesas buscavam reverter o enquadramento, o que não foi aceito pelo juiz.
Investigação
Fildzz foi preso em 2 de agosto de 2023, depois que a Polícia Civil encontrou mais de 100 pés de maconha em imóveis ligados a ele em Praia Grande, na Baixada Santista. Em outubro daquele ano, o juiz Vinicius de Toledo Piza Peluso revogou a prisão preventiva por falta de provas suficientes, permitindo que o cantor aguardasse o processo em liberdade.
A decisão, na época, também beneficiou Wagner, apontado como responsável por cuidar dos imóveis. Eles ficaram por cerca de dois meses no Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade. O caso voltou a avançar com a sentença de 14 de novembro de 2025, em que a Justiça avaliou todo o conjunto de provas reunidas pela investigação.
Conforme apurado junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), o juiz Fernando Cesar do Nascimento rejeitou as tentativas das defesas de anular as provas obtidas. Elas afirmavam haver irregularidades nas buscas e no acesso aos celulares apreendidos, mas o magistrado considerou que não existiam falhas concretas na produção dessas evidências.
Decisão
Para o juiz, os laudos periciais, relatórios policiais e dados extraídos dos celulares sustentaram a acusação de tráfico. As versões apresentadas pelos réus foram consideradas “inverossímeis”, já que depoimentos e documentos confirmaram o cultivo e a guarda de maconha nos imóveis vinculados a ambos.
A defesa de Fildzz argumentava que o cantor fazia uso medicinal da cannabis e visitava o local por curiosidade, enquanto Wagner dizia cultivar plantas para fins de saúde e isentava o vocalista de participação direta. Nenhuma dessas teses foi acolhida. Segundo o magistrado, havia fundada suspeita que autorizava a entrada nos imóveis sem mandado, por se tratar de crime permanente.
O juiz absolveu os dois da acusação de associação ao tráfico, mas manteve a condenação por tráfico de drogas com aplicação do benefício do tráfico privilegiado. As penas foram reduzidas em dois terços e substituídas por medidas alternativas, como prestação de serviços à comunidade e pagamento de valores a instituições beneficentes.
Posicionamento
Em nota ao VTV News, o advogado Eugênio Malavasi informou que “a ação penal foi julgada parcialmente procedente”, e que “a justiça foi parcialmente realizada, com a absolvição do crime de associação ao tráfico”. No entanto, a respeito do tráfico privilegiado, “a defesa buscará sua inocência perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo”.
A defesa de Wagner foi procurada, mas não respondeu até a última atualização.