O advogado de defesa de Augusto Heleno, general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, lançou nesta terça-feira (3) as críticas mais incisivas contra a condução do processo por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Matheus Mayer Milanez questionou a atuação do magistrado ao longo das investigações, sugerindo inclusive que Moraes teria atuado como um “juiz inquisidor”.
Segundo Milanez, houve indução na produção de provas, excesso de questionamentos e uso indevido do direito ao silêncio — o que, de acordo com ele, configura violação à legislação vigente. O advogado também criticou a forma como os autos foram organizados no processo, alegando que os arquivos foram disponibilizados com nomes “ininteligíveis” e sem tempo hábil para análise adequada da defesa.
“Heleno não era mais consultor de Bolsonaro”
Na tentativa de dissociar o general da articulação golpista, o defensor sustentou que Heleno já não integrava o núcleo próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro à época dos eventos investigados. A ruptura, segundo ele, teria ocorrido quando Bolsonaro se aproximou do Centrão — aliança política que o general rejeitava. “Heleno não era a favor da política tradicional”, afirmou.
A estratégia foi reforçada com a citação de matérias jornalísticas e depoimentos de testemunhas arroladas pela própria defesa, em contraponto à interpretação do Ministério Público de que não haveria evidência clara do distanciamento entre Heleno e Bolsonaro. Milanez destacou que, embora o general tenha negado um rompimento completo, havia sinais claros de perda de influência e afastamento político.

Críticas à condução do processo
Milanez enfatizou a dificuldade de acesso às provas, classificando como problemático o formato dos documentos inseridos nos autos. “São nomes que não se entendem e não se sabe de onde vêm”, disse, ao criticar a organização dos materiais compartilhados com a defesa.
Ao final, a argumentação buscou minar o vínculo de Heleno com os eventos centrais da trama golpista, reposicionando o general como uma figura periférica à decisão estratégica do governo na reta final do mandato de Bolsonaro.
O julgamento segue no Supremo.