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Alcolumbre critica ocupação da Mesa por bolsonaristas, mas repetiu estratégia semelhante em 2019

Apesar da crítica, o próprio Alcolumbre usou expediente semelhante em 2019, quando permaneceu por sete horas consecutivas na mesa.
25/04/2019 Encontro com Davi Alcolumbre, Presidente do Senado Federal e Senador Fernando Bezerra (MDB-PE) (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), criticou os parlamentares bolsonaristas que têm ocupado a Mesa Diretora da Casa em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Para Alcolumbre, a ação representa um “exercício arbitrário das próprias razões”. A declaração foi feita na terça-feira (05), um dia após a decisão judicial que colocou o ex-presidente em prisão domiciliar.

Apesar da crítica, o próprio Alcolumbre usou expediente semelhante em fevereiro de 2019, quando permaneceu por sete horas consecutivas na presidência da sessão para tentar assegurar uma manobra regimental que o favorecesse na eleição ao comando do Senado. O fato foi relembrado pelo Poder360. À época, disputava com Renan Calheiros (MDB-AL) e contou com o apoio do Palácio do Planalto, recém-ocupado por Bolsonaro.

Ocupação da Mesa paralisa votações

Desde a decretação da prisão de Bolsonaro, aliados do ex-presidente intensificaram os protestos no Congresso. Parte deles chegou a se acorrentar à Mesa do Senado nesta quarta-feira (06), impedindo votações e afetando o funcionamento das comissões. Os oposicionistas condicionam o fim da manifestação à inclusão na pauta do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Eles também pressionam pela abertura de um processo de impeachment contra Moraes — decisão que cabe ao próprio Alcolumbre.

A autoproclamação de 2019

Em 2019, Alcolumbre era terceiro suplente da antiga Mesa Diretora e reivindicou a presidência da sessão alegando continuidade da composição anterior. Ignorou a decisão da Secretaria-Geral da Mesa, que previa a condução dos trabalhos pelo senador mais velho, José Maranhão (MDB-PB), aliado de Renan Calheiros. Ao manter-se à frente dos trabalhos, impediu o cumprimento da regra e organizou uma votação para que a eleição fosse aberta — contrariando a tradição do voto secreto e sob a justificativa de constranger aliados de Renan.

Durante sete horas seguidas, Alcolumbre não deixou a cadeira da presidência, nem nos intervalos. Segundo o senador Jorge Kajuru, teria utilizado fralda geriátrica para resistir ao período prolongado, fato que não foi confirmado oficialmente. A sessão só foi suspensa após a aprovação do voto aberto e remarcada para o dia seguinte.

No entanto, uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a eleição deveria ocorrer em voto secreto. A primeira tentativa de votação foi anulada por exceder o número de senadores. Na segunda, com 77 votantes, Renan Calheiros retirou sua candidatura. Flávio Bolsonaro, que havia declarado apoio a Alcolumbre, reforçou o alinhamento com o Planalto. O senador do Amapá acabou eleito presidente da Casa.

Recentemente, a Mesa do Senado e da Câmara foi ocupada majoritariamente por parlamentares da oposição, o que tem alimentado impasses políticos.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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