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Bolsonaro descumpriu medida judicial ao manter contato com Braga Netto e advogado ligado à Rumble

Segundo o relatório, Jair Bolsonaro manteve contato com investigados por tentativa de golpe de Estado e com representantes da Rumble.
Bolsonaro descumpriu medida judicial ao manter contato com Braga Netto e advogado ligado à Rumble (Foto: Clauber Cleber Caetano/PR)

A Polícia Federal identificou que o ex-presidente Jair Bolsonaro violou medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao manter comunicação com o general Walter Braga Netto, também réu no processo que investiga tentativa de golpe de Estado no Brasil. Segundo o relatório da PF entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), as trocas de mensagens ocorreram mesmo após decisão que proibia ambos de manterem contato.

Segundo a investigação, Bolsonaro recebeu uma mensagem de SMS enviada por Braga Netto a um número pré-pago reservado para emergências. No conteúdo, o general orienta: “Não tem zap. Somente face time. Abs Braga Netto”. A comunicação foi realizada um dia após a deflagração da operação Tempus Veritatis, que cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão preventiva autorizados nos autos da Petição 12.100/DF.

A decisão judicial, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, havia determinado a proibição expressa de contato entre os dois, com base no artigo 319, inciso III, do Código de Processo Penal. A violação da medida, ainda durante a fase pré-processual, foi classificada pela Polícia Federal como indicativo do “fortalecimento do liame subjetivo entre os investigados” e demonstração de “desprezo e alienação quanto ao caráter vinculante das decisões emanadas pela Suprema Corte”.

Mensagens com advogado ligado à Trump Media também foram identificadas

Além da comunicação com Braga Netto, Jair Bolsonaro também manteve contato com Martin de Lucca, advogado norte-americano identificado como representante da Trump Media & Technology Group e da plataforma Rumble. A Polícia Federal aponta conversas via WhatsApp entre Bolsonaro e o contato registrado como “Martin de Lucca USA”, associado a um número norte-americano.

De acordo com a apuração, a imagem de perfil do contato vincula Martin de Lucca às empresas americanas, o que, segundo a PF, reforça a suspeita de tentativa de cooptação internacional e obstrução de justiça, conforme os elementos apurados nos inquéritos 4.995/DF e Petição 14.129/DF. As comunicações ocorreram mesmo após Bolsonaro ser alertado sobre restrições judiciais e medidas cautelares que vedavam esse tipo de articulação.

A Polícia Federal interpretou o conjunto das ações como reiteração de condutas já investigadas, com potencial efeito coercitivo sobre o Supremo Tribunal Federal. Os indícios colhidos serão anexados aos processos em curso e podem embasar novos desdobramentos jurídicos.

CEO do Rumble desafia ministro do STF nas redes sociais / Divulgação
CEO do Rumble desafia ministro do STF nas redes sociais / Divulgação

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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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