O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou que será o nome lançado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar a Presidência da República em 2026, movimento que escancara a reorganização da direita e intensifica a crise familiar que tomou corpo nos últimos dias.
O parlamentar oficializou a decisão em suas redes sociais ao afirmar que assume a “missão” de dar continuidade ao projeto político do pai e que seguirá “guiado por Deus” ao longo da campanha.
A escolha, porém, não pacificou o campo bolsonarista. Aliados próximos e integrantes do próprio PL receberam o anúncio com reservas, sobretudo grupos alinhados à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, cuja resistência à indicação do filho mais velho se tornou explícita.
Internamente, dirigentes relatam incômodo de quadros antigos do partido, que viram no gesto uma decisão personalista e potencialmente conflituosa para a construção de palanques regionais.
É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação.
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) December 5, 2025
Eu não posso, e não vou, me conformar ao ver o nosso país caminhar por um tempo de… pic.twitter.com/vBvHS7M0hJ
Crise no clã Bolsonaro
A definição do ex-presidente ocorre enquanto a família atravessa uma disputa aberta, catalisada pela decisão do diretório do PL no Ceará de apoiar uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB). O gesto provocou reação imediata e pública de Michelle Bolsonaro, que criticou o partido por avalizar o nome do ex-ministro.
A partir daí, o impasse se ampliou e ganhou caráter familiar. As declarações de Michelle irritaram os enteados, que passaram a contestá-la nas redes sociais, aumentando o conflito interno.
Após reunião na última terça-feira (2), a cúpula do PL recuou e suspendeu o apoio a Ciro, numa tentativa de conter o desgaste e reorganizar o ambiente partidário antes do início formal da corrida eleitoral.