O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, enviou uma manifestação ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para que o governo americano não aplicasse o “tarifaço” contra o Brasil.
O pedido, protocolado nesta quarta-feira (1º), incluiu o direcionamento de punições individuais, sob o argumento de que o tarifaço generalizado poderia ajudar o presidente Lula nas eleições de 2026. Até o momento, Lula e Flávio são os principais nomes para concorrer à Presidência.
“As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro justamente pela estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar retaliações por parte de Washington e, em seguida, transformar essa retaliação em uma vitória política interna”, diz o documento.
Preocupado com a repercussão de um tarifaço sobre a economia, o senador sugeriu que as punições fossem direcionadas a indivíduos por meio da cassação de vistos e da aplicação da Lei Magnitsky.
Lei Magnitsky: A legislação americana permite que os EUA imponham sanções econômicas e restrinjam a entrada de estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações de direitos humanos no país.
“Tais instrumentos específicos atingem justamente as condutas apontadas pelo Presidente — a repressão à liberdade de expressão constitucionalmente protegida, a atuação deliberada contra empresas norte-americanas que cumprem a lei e a corrupção — sem onerar toda uma economia ou os cidadãos que, eles próprios, se opõem a essas condutas”, reforça.
Lula repudia a ação
Na tarde desta quinta-feira (2), Lula publicou em suas redes sociais uma nota repudiando a atitude de Flávio Bolsonaro. Segundo o presidente, seu governo sempre dialogará de igual para igual com qualquer nação do mundo, acusando a família Bolsonaro de submeter o País aos interesses dos EUA. Ele destacou, ainda, que Flávio pediu apenas o adiamento do tarifaço para depois das eleições.
Além disso, Lula reforçou a importância de defender o Mercosul e o Pix, temas que têm sido muito abordados ultimamente e que entraram na mira de políticos brasileiros e estrangeiros que buscam controlar e taxar produtos e acordos do Brasil.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso País seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço, seja agora ou depois. […] Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, escreveu Lula.