O Congresso Nacional deve analisar nesta quinta-feira (22), em sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, quatro vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 que podem impactar diretamente o processo eleitoral, os repasses federais e a transferência de recursos públicos para estados e municípios. Para derrubar os vetos presidenciais, é necessária maioria absoluta dos parlamentares.
Vetos à LDO entram na pauta do Congresso
Ao todo, o Executivo vetou 44 dispositivos da LDO de 2026, mas apenas quatro serão apreciados nesta sessão por terem relação direta com as eleições e a execução orçamentária da União.
Caso os vetos sejam mantidos, os trechos seguem fora do texto da LDO. Se forem derrubados pelo Congresso, as medidas passam a valer e deverão ser cumpridas pelo governo federal.
Doações públicas em período eleitoral
Um dos principais pontos em debate envolve a possibilidade de o poder público realizar doações de bens, dinheiro e benefícios a estados e municípios durante o período eleitoral.
A proposta aprovada pelo Congresso no fim de 2025 criava uma exceção à legislação eleitoral, permitindo as transferências desde que houvesse alguma contrapartida por parte do beneficiário.
O governo federal vetou o dispositivo alegando inconstitucionalidade. Segundo o Executivo, a LDO não possui competência para modificar regras previstas na Lei Eleitoral, considerada uma norma permanente e de hierarquia superior. Além disso, o tema estaria fora das atribuições previstas para a lei orçamentária.
Municípios pequenos e exigências fiscais
Outro veto em análise trata da flexibilização de exigências fiscais para municípios com até 65 mil habitantes.
O texto aprovado pelos parlamentares permitia que essas cidades recebessem recursos federais, firmassem convênios e tivessem acesso a transferências da União mesmo sem comprovar regularidade fiscal.
A medida tinha como objetivo facilitar o acesso a recursos públicos para municípios que enfrentam dificuldades financeiras e possuem dívidas com a União ou com a Seguridade Social.
O Executivo vetou o trecho argumentando que a proposta contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal e pode violar a Constituição Federal, que impede benefícios a entes inadimplentes junto à Seguridade Social.
Infraestrutura e repasses federais
Também estão na pauta dois vetos relacionados a investimentos em infraestrutura de transporte.
O Congresso havia autorizado a União a financiar obras em rodovias estaduais e municipais, além de hidrovias, mesmo em áreas que não são de responsabilidade direta do governo federal.
A justificativa apresentada pelos parlamentares é de que os investimentos ajudariam no escoamento da produção agropecuária e na integração logística do país.
O governo, porém, vetou os dispositivos afirmando que eles ampliariam excessivamente as competências da União e poderiam comprometer o planejamento orçamentário federal.
Impactos da decisão
Se os vetos forem derrubados, o governo federal poderá realizar repasses e investimentos atualmente limitados pela legislação, incluindo transferências em período eleitoral e financiamento de obras estaduais e municipais.
Caso sejam mantidos, permanecem válidas as restrições impostas pelo Executivo no texto final da LDO de 2026.