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Senador Marcos Pontes apresenta projeto para barrar ex-ministros do STF nas urnas

Projeto prevê inelegibilidade de ex-ministros do STF por oito anos após deixarem a Corte
Senador Marcos Pontes discursa na tribuna do plenário do Senado Federal, com a bandeira do Brasil ao fundo.

O senador Marcos Pontes (PL-SP) protocolou no Senado Federal o Projeto de Lei Complementar (PLP 268/2026) para proibir que ex-ministros do STF de disputar eleições pelo período de oito anos após deixarem o cargo. A restrição abrange saídas por aposentadoria voluntária, aposentadoria compulsória, exoneração e perda do cargo. A proposta estabelece uma quarentena eleitoral preventiva para evitar conflito de interesses e o uso do prestígio da Corte em futuras candidaturas.

Como funciona a proposta de inelegibilidade para o STF

A iniciativa altera a Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar 64/90) para incluir os ex-integrantes do Supremo Tribunal Federal no rol de cidadãos impedidos de concorrer a cargos eletivos. A contagem dos oito anos de inelegibilidade começa imediatamente após o desligamento do magistrado.

A nova regra de quarentena eleitoral vai funcionar de forma acumulada com outras restrições já previstas na legislação:

  • Inabilitação para função pública: prevista na Constituição Federal para autoridades condenadas por crime de responsabilidade.
  • Quarentena da advocacia: proibição de advogar no próprio tribunal durante três anos após a saída.

O projeto inclui ainda uma regra de transição: a vedação atinge ex-ministros do STF que deixaram a Corte antes da publicação da lei, desde que o prazo de oito anos do afastamento ainda esteja em curso.

Projeto de lei complementar apresentado pelo senador Marcos Pontes propõe tornar ex-ministros do STF inelegíveis por oito anos após o afastamento do cargo.

Por que criar quarentena eleitoral para ex-ministros do STF?

Na justificativa do texto, o senador defende que a medida tem caráter preventivo e busca proteger a estabilidade das instituições. Atualmente, a legislação eleitoral exige apenas a desincompatibilização do cargo seis meses antes do pleito, prazo considerado insuficiente pelo parlamentar.

O autor destaca atribuições exclusivas da Suprema Corte para fundamentar o projeto:

  1. Julgamento de parlamentares: os ministros julgam congressistas em processos criminais comuns.
  2. Atuação no TSE: três dos sete integrantes do Tribunal Superior Eleitoral vêm do Supremo.
  3. Controle constitucional: cabe ao tribunal validar ou anular leis eleitorais aprovadas no Congresso.

Segundo a exposição de motivos, o acúmulo de visibilidade e o poder de decisão dos juízes podem gerar vantagens indevidas em campanhas. O prazo de oito anos segue o mesmo padrão fixado pela Lei da Ficha Limpa.

Projeto de lei complementar apresentado pelo senador Marcos Pontes propõe tornar ex-ministros do Supremo Tribunal Federal inelegíveis por oito anos após o afastamento do cargo.

Anterioridade eleitoral e regras de transição

Para assegurar a segurança jurídica, o projeto respeita o princípio da anterioridade eleitoral (Artigo 16 da Constituição Federal). A norma passa a valer na data de sua publicação, mas não se aplica a eleições realizadas até um ano após a sanção. Dessa forma, as alterações só produzem efeitos práticos no pleito seguinte ao período de doze meses.

Estágio da tramitação no Senado

O PLP 268/2026 aguarda despacho da Presidência do Senado para envio às comissões temáticas, onde passará por avaliações de mérito e constitucionalidade. Por se tratar de um Projeto de Lei Complementar, a aprovação exige maioria absoluta tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.

Até o momento, não há indicação de relator nem data prevista para votação. Não constam nos registros oficiais manifestações de outros parlamentares ou de membros do STF sobre a proposta.o. Não constam nos registros oficiais manifestações de outros senadores ou de ministros do STF sobre a proposta.


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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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