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Mesmo preso, Bolsonaro terá oito assessores e direito à aposentadoria militar

Ex-presidente segue com oito assessores, dois veículos e duas fontes de remuneração; benefícios são garantidos por lei e não têm previsão de suspensão automática
Mesmo preso Bolsonaro terá oito assessores e salário que pode chegar a R$100 mil

O ex-presidente Jair Bolsonaro continuará dispondo de oito assessores e dois veículos oficiais, além de receber mais de R$ 37 mil mensais em salários e benefícios, mesmo estando preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília para cumprir pena pelos crimes ligados à tentativa de golpe de 2022.

A manutenção da estrutura está amparada na legislação que rege direitos de ex-chefes do Executivo e não possui regras específicas para casos de prisão.

A lei de 1986 prevê que ex-presidentes tenham quatro servidores para segurança e apoio direto, dois veículos oficiais com motoristas e a possibilidade de contratação de mais dois assessores com remunerações superiores. Todos os cargos são comissionados, de livre nomeação, e as despesas são custeadas pelo governo federal. O benefício é pessoal e não se estende a familiares.

Estrutura mantida mesmo sob custódia

Além de Bolsonaro, todos os demais ex-presidentes contam com equipes à disposição: Michel Temer, Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e José Sarney. O uso do aparato em situações de restrição de liberdade não é inédito. Lula, detido entre 2018 e 2019, manteve os servidores, assim como Collor, atualmente em prisão domiciliar.

No campo financeiro, Bolsonaro segue acumulando duas fontes de renda principais:

  • O ex-presidente também mantém a aposentadoria parlamentar prevista em legislações específicas da Câmara, sem decisão do STF que determine suspensão do benefício. O relatório mais recente da Casa, de setembro, registrou pagamento bruto de R$ 41.563,98, com valor líquido de R$ 27.511,54 após descontos.

  • Bolsonaro recebe ainda pensão como capitão reformado do Exército. A remuneração bruta é de R$ 12.861,61, com valor líquido de R$ 9.529,57 depois das deduções previstas. Caso a Justiça confirme a perda de patente, o benefício deixa de ser pago ao ex-presidente e passa a ser destinado à esposa, Michelle Bolsonaro, e à filha Laura, de 15 anos.

Moraes autoriza monitoramento presencial da prisão domiciliar de Bolsonaro por risco de fuga (Foto: redes sociais)
Moraes autoriza monitoramento presencial da prisão domiciliar de Bolsonaro por risco de fuga (Foto: redes sociais)

PL tira suspende pagamentos

Até a manhã de hoje, Bolsonaro contava com uma terceira fonte de renda: o Partido Liberal (PL). No fim da tarde desta quinta-feira (27), o PL suspendeu a remuneração e todas as funções partidárias do ex-presidente Jair Bolsonaro, após a condenação que resultou na suspensão de seus direitos políticos.

A medida atinge o cargo de presidente de honra, posição que ele ocupava desde sua filiação em 2021, e interrompe o pagamento mensal bruto de R$ 46.366,19, valor equivalente ao salário de um deputado federal.

A cúpula da sigla justificou a decisão como cumprimento direto da legislação vigente, amparada nos efeitos do acórdão da Ação Penal 2668. Segundo o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o benefício havia sido assumido como compromisso institucional no momento da entrada de Bolsonaro na legenda.

“Infelizmente, por decorrência da lei (Lei 9096/95 – REspEI n° 060026764; AGR-RO 060023248) e em razão da suspensão dos direitos políticos do nosso Presidente de Honra, Jair Bolsonaro, as respectivas atividades partidárias de nosso líder estarão igualmente suspensas, inclusive a sua remuneração, enquanto perdurarem os efeitos do acórdão condenatório na AP 2668”, escreveu o partido.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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