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Termos surgiram na Revolução Francesa e seguem sendo referência para identificar correntes ideológicas, apesar das transformações teóricas e institucionais

A distinção entre direita e esquerda, ainda hoje amplamente utilizada no debate político, remonta à organização dos assentos da Assembleia Nacional durante a Revolução Francesa, no século XVIII. À direita, concentravam-se os defensores da monarquia e da desigualdade social como ordem natural; à esquerda, os grupos favoráveis a reformas, que buscavam formas de governo mais igualitárias e representativas.

A categorização, apesar de seu contexto histórico original, passou a ser um marco classificatório das posições políticas nos regimes democráticos modernos, especialmente com o avanço do capitalismo. Embora tenha enfrentado certo desuso técnico nas ciências políticas do século XX, diante da ampliação das dimensões analíticas do poder, o ressurgimento de movimentos de direita em diversas partes do mundo contribuiu para sua reatualização no vocabulário político contemporâneo.

Inauguração dos Estados Gerais em 1788
  • Em linhas gerais, a esquerda é caracterizada por uma abordagem mais intervencionista do bem-estar social. Por vezes é associada à concentração do poder estatal, com uma visão internacionalista de mundo, além de priorizar direitos coletivos ante ao individual.

  • Já a direita, também em linhas gerais, é definida como conservadora, com atitudes à favor do livre mercado, priorizando direitos individuais ante do coletivo, e a não intervenção governamental. Muitas vezes também, com enfoque na lei e na ordem, e com uma visão nacionalista de governo, embora não seja a regra.

Em sua forma radicalizada, esse tensionamento pode desaguar no autoritarismo, seja sob o viés da extrema-direita — associada historicamente ao fascismo e ao nacionalismo excludente —, seja pela extrema-esquerda, representada por regimes de centralismo estatal e supressão de liberdades plurais.

Mas e o centro? Bem, há nessa régua dimensional a “centro-esquerda” e “centro-direita”. Ambas associadas à reformas graduais da lei, da manutenção de direitos individuais e coletivos além do debate do papel do Estado eficiente.

Por exemplo, à direita, há quem defenda um Estado reduzido — isto é, que o governo deveria intervir menos nas relações econômicas e sociais, sem prezar pela efetividade prática no oferecimento de oportunidade. Porém, na mesma esfera da direita, por vezes associada à centro-direita, há quem defenda um Estado eficiente, que argumenta que, onde a propriedade privada não chega, o Estado deve chegar.

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Glossário político das correntes

Ao longo do tempo, a noção de esquerda e direita passou a abrigar uma variedade de correntes ideológicas: neoliberalismo, social-democracia, conservadorismo clássico, utilitarismo, populismo, socialismo marxista, entre outras.

Embora essas vertentes apresentem distinções internas significativas, elas costumam ser posicionadas ao longo de um contínuo ideológico, conforme sua relação com os princípios de igualdade, liberdade, papel do Estado, economia e organização social.

Para o leitor compreender a dimensão das correntes, separamos um breve glossário de termos, para assim poder debater esse tema sem confusão. Confira:

  • Capitalismo: Sistema econômico conduzida pelas forças de mercado livre, com investimento privado nos, propriedade dos, meios de produção e distribuição de riqueza, serviço e produtos.

  • Comunismo: Ideologia que defende a eliminação da propriedade privada, mesmo que por meios violentos, em favor da posse comum.

  • Conservadorismo (clássico): Um dos mais complicados, mas em termos gerais, trata-se de uma posição política que se opõe a mudanças radicais na sociedade.

  • Ecosofia: trata-se de uma política verde, que propõe harmonia e um equilíbrio ecológico das políticas de Estado com o ecossistema.

  • Fascismo: Ideologia de cunho nacionalista, acentuada por uma identidade coletiva, sob o uso da violência e do conflito para promover os interesses do Estado, associado muitas vezes à uma forte liderança política.

  • Legalismo: Filosofia política utilitária, que enfatiza a manutenção da lei e da ordem, usando punições severas se necessário.

  • Liberalismo: Ideologia política que enfatiza os direitos e liberdades individuais. Os liberais tendem a adotar uma ampla gama de políticas, como livre mercado, liberdade de expressão e livre associação. O liberalismo também é contemplado pelo sentido clássico, que defendia os direitos individuais acima do Estado e da Igreja.

  • Libertarismo: Defesa da liberdade e do livre-arbítrio, muitas vezes podendo ser defendida tanto na esquerda quanto na direita.

  • Marxismo: A “raiz” do socialismo moderno, é uma filosofia que, compreende a ordem econômica da sociedade como determinante nas relações políticas e sociais dentro dela. A partir dessa interpretação, defende-se o socialismo como uma forma alternativa ao capitalismo.

  • Meritocracia: Outra palavra que facilmente pode cair em confusão, mas, em termos gerais, trata-se da crença de que governantes deveriam ser escolhidos com base na habilidade e não na riqueza ou origem.

  • Nacionalismo: Lealdade e devoção à pátria. Os nacionalistas entendem que os interesses da nação devem estar a frente da diplomacia.

  • Socialismo: Ideologia e método de governo que defende um modelo estatal regulador e proprietário das indústrias, do controle central e de alocação de recursos.

  • Social-democracia: Modelo político de centro-esquerda que defende reformas graduais das leis e do capitalismo, afim de ampliar a igualdade na sociedade, e que, eventualmente, poderá alçar os ramos político ao socialismo. Sobre o interesse final de um social-democrata não há consenso na política, uma vez que a corrente pode ser entendida como a manutenção dos direitos das minorias, sem necessariamente almejar a ascensão socialista.

  • Socialismo marxista: fase do desenvolvimento econômico que Karl Marx acreditava ser o estágio fundamental da transição do estado capitalista para o comunista.

  • Sociedade Fabiana: Foi um movimento britânico que defendia que o socialismo deveria ser introduzido gradativamente por meio da educação e mudanças legislativas.

  • Utilitarismo: Filosofia política que sustenta que, a menor política é aquela que fornece a maior felicidade ao maior número de pessoas. Este foi o pressuposto filosófico que fundamentou o populismo.

E os movimentos radicais?

A radicalização de ambos os polos — tanto da esquerda quanto da direita — revela traços comuns: rejeição ao pluralismo, uso sistemático da coerção, retórica salvacionista, e em casos extremos, erosão institucional e alienação do coletivo. Regimes como o da União Soviética, da Venezuela chavista ou o fascismo italiano exemplificam formas históricas em que a concentração de poder e a eliminação da divergência se tornaram práticas estruturantes.

No debate atual, surgem ainda classificações como a ultradireita, frequentemente entendida como um espectro que, apesar de atuar dentro das instituições democráticas, advoga por agendas nacionalistas, conservadoras e avessas aos freios e contrapesos institucionais.

A separação entre extrema-direita e ultradireita não é consensual entre cientistas políticos, mas a diferenciação costuma repousar no grau de adesão às práticas democráticas e no discurso público em torno da representação política e dos direitos fundamentais.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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